Crise no Banco Master: Galípolo Afirma Inexistência de Culpa de Campos Neto em Meio a Tensão Política e Investigação Interna

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declara na CPI do Crime Organizado que não há auditoria que culpe Roberto Campos Neto no Caso Master. A declaração ocorre em meio a acusações do governo Lula e investigações internas que afastaram servidores do BC.

Em um cenário de crescente tensão política e escrutínio sobre o sistema financeiro nacional, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira (8) que não existem auditorias ou sindicâncias internas da autoridade monetária que apontem qualquer culpa de Roberto Campos Neto, ex-presidente do órgão, no tratamento do complexo Caso Master. A declaração de Galípolo foi proferida durante sua participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, onde foi intensamente questionado sobre a atuação de seu antecessor no Banco Central em relação ao banco de Daniel Vorcaro, cuja liquidação em novembro passado gerou ondas de repercussão e acusações políticas.

A fala de Galípolo surge em um momento em que o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem publicamente intensificado suas críticas, associando o escândalo do Banco Master à gestão de Jair Bolsonaro (PL), responsável pela indicação de Roberto Campos Neto ao comando do Banco Central. Em discursos e entrevistas, o presidente chegou a classificar o Master como o “ovo da serpente” de Bolsonaro e do ex-presidente do BC, evidenciando uma clara tentativa de vincular a crise financeira a uma herança da administração anterior. Campos Neto presidiu o BC de 2019 a 2024, sendo que os dois últimos anos de sua gestão, à frente de uma autoridade monetária autônoma em relação ao governo, ocorreram já no terceiro mandato de Lula, iniciado em 2023, o que adiciona uma camada de complexidade à narrativa política.

Durante seu depoimento, Gabriel Galípolo detalhou o processo que levou à liquidação do Banco Master. Ele explicou que a decisão foi tomada em novembro passado, após o próprio banco reconhecer suas dificuldades financeiras e o passivo ter consumido a maior parte do caixa da instituição, comprometendo severamente sua liquidez e capacidade de honrar seus compromissos. “Aquele passivo vai consumindo o caixa do banco até que, no dia da liquidação, o banco tinha em caixa um valor de 10% do que ele tinha para pagar naquele dia, o que gera a liquidação”, relatou Galípolo, sublinhando a gravidade da situação financeira que forçou a intervenção do Banco Central. Apesar da pressão política, o atual presidente do BC evitou criticar diretamente a conduta de seu antecessor, Roberto Campos Neto, mantendo a postura de que os procedimentos internos não indicam culpa.

A complexidade da situação foi ainda mais evidenciada quando o Senador Fabiano Contarato (PT-ES) questionou Galípolo se o Banco Master não deveria ter sido liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central ainda na gestão de Campos Neto. Em resposta, o atual presidente do BC revelou que ele próprio é alvo de questionamentos sobre uma possível precipitação em sua decisão de liquidar o banco. “Eu cheguei em janeiro de 2025. E, ainda assim, a gente teve que cumprir todos os ritos justamente para que a gente estivesse bem calçado. Ainda em meados de 2025 existia, na opinião pública e em debate, que a rejeição da compra do BRB não deveria ter ocorrido. E, ainda hoje, estou respondendo em órgãos de controle se a liquidação não foi feita de maneira precipitada”, afirmou Galípolo, ilustrando o rigor dos processos e a constante fiscalização a que as decisões do Banco Central estão sujeitas, independentemente da gestão.

Servidores do Banco Central sob Investigação

Paralelamente à discussão sobre a responsabilidade da cúpula, o Caso Master também revelou uma frente de investigação interna no Banco Central. Dois servidores da instituição, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, foram afastados de suas funções e estão sob investigação por suposto envolvimento no escândalo. As investigações apontam que os servidores teriam “davam orientações”, sugerindo uma conduta inadequada que pode ter impactado a situação do banco. Este desdobramento sublinha a gravidade do caso e a necessidade de apuração em todas as esferas, desde a alta gestão até os níveis operacionais, para garantir a integridade e a transparência do sistema financeiro brasileiro.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *