Inteligência Artificial no Brasil: Legislativo Prioriza Vigilância e Controle em Detrimento da Educação, Alerta Dossiê

Um panorama preocupante emerge das assembleias legislativas de cinco estados brasileiros, revelando que as proposições de leis envolvendo inteligência artificial (IA) estão fortemente inclinadas para o controle e a vigilância, em detrimento de áreas cruciais como a educação. Um dossiê detalhado, elaborado pela **Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR)**, com base na atuação parlamentar nos estados do **Rio de Janeiro** (**RJ**), **São Paulo** (**SP**), **Espírito Santo** (**ES**), **Paraná** (**PR**) e **Santa Catarina** (**SC**) entre **2023** e **2025**, identificou **183** proposições legislativas, das quais quase metade se concentra na segurança pública, conforme noticiado pela **Agência Brasil**.

O relatório da **IDMJR** é categórico ao apontar que a segurança pública absorve a maior fatia das iniciativas legislativas sobre IA, representando **48%** das matérias propostas. Em um contraste notável, a educação ocupa a segunda posição, com apenas **22%** das proposições, que incluem a criação de programas, incentivos e diretrizes para a integração da IA no ambiente estudantil. Outras temáticas de grande relevância social e econômica, como processamento de dados, trabalho, meio ambiente, proteção ao consumidor e saúde mental, mal atingem **10%** do total das proposições, evidenciando uma desproporção significativa na abordagem legislativa da IA no país.

A natureza dos projetos de lei voltados para a segurança pública é predominantemente focada em tecnologias de monitoramento e controle. O documento da **IDMJR** detalha que essas proposições englobam o monitoramento urbano por meio de câmeras e drones, programas de vigilância ostensiva, aquisição de drones para operações policiais, a criação de centros de monitoramento avançados, sistemas integrados de reconhecimento facial, observatórios de segurança de cargas e a instalação de totens de segurança blindados. Tais iniciativas, embora apresentadas sob o pretexto de combater a criminalidade, levantam sérias questões sobre a privacidade dos cidadãos e o potencial de uso abusivo dessas tecnologias.

O Cenário Político e a Pauta da IA

O panorama político revela uma concentração da pauta de tecnologia e policiamento nas mãos de determinados partidos. O relatório da **IDMJR** destaca que o **PSDB**, o **União** e o **PSD** lideram a produção legislativa sobre IA. Essa liderança não é meramente numérica; os partidos de direita têm, segundo o dossiê, monopolizado a discussão sobre tecnologia e policiamento nas casas legislativas estaduais. Eles frequentemente ocupam as presidências das comissões de Segurança Pública nos parlamentos, utilizando essa posição para incentivar e promover políticas de videomonitoramento e reconhecimento facial no uso do policiamento ostensivo. Essa dinâmica política sugere uma estratégia coordenada para expandir o aparato de vigilância estatal, com implicações profundas para as liberdades civis e a governança democrática.

A prevalência de proposições legislativas focadas em controle e vigilância, em detrimento de investimentos em educação e outras áreas sociais, reflete uma prioridade política que pode ter impactos de longo prazo na sociedade brasileira. Enquanto a inovação tecnológica oferece vastas oportunidades para o desenvolvimento social e econômico, a concentração de esforços legislativos em ferramentas de segurança levanta o debate sobre o equilíbrio entre segurança pública e direitos fundamentais, como a privacidade e a liberdade individual. A forma como a inteligência artificial é legislada hoje moldará o futuro da interação entre cidadãos e o Estado, exigindo uma reflexão crítica sobre os valores e prioridades que guiam a agenda política nacional.

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