Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, revela um cenário de crescente desaprovação em relação ao governo federal, com 52% dos brasileiros manifestando insatisfação com a gestão atual. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, aponta que apenas 43% da população aprova o trabalho do presidente, enquanto 5% não souberam ou não responderam. Este resultado marca uma variação de um ponto percentual na avaliação geral e consolida uma tendência de queda na aprovação e aumento na desaprovação observada nos últimos meses, refletindo um panorama político complexo e desafiador para a administração.
A análise dos dados históricos da Quaest demonstra uma consolidação da tendência de desaprovação. Em março, o índice de desaprovação era de 51%, e em fevereiro, de 49%. Paralelamente, a aprovação recuou de 44% em março e 45% em fevereiro para os atuais 43%. A diferença entre desaprovação e aprovação ampliou-se em cinco pontos percentuais desde outubro de 2025, evidenciando um endurecimento da percepção pública em relação à administração. Este panorama geral sugere um período de desafios para o governo, que busca consolidar sua base de apoio em meio a pressões econômicas e sociais, além de um ambiente político altamente polarizado que se intensifica com a proximidade das eleições.
Impacto em Grupos Estratégicos
O eleitorado feminino, historicamente crucial em disputas eleitorais, apresenta um aumento na desaprovação. Entre as mulheres, 49% desaprovam o governo, um crescimento em relação aos 48% registrados em março e 44% em fevereiro. A aprovação, por sua vez, caiu para 45%, vindo de 46% em março e 48% em fevereiro. A percepção desse grupo é vista como fundamental para o equilíbrio político, especialmente com as discussões sobre a definição de vices e a participação feminina na política, como as recentes movimentações de Valdemar Costa Neto buscando uma mulher na chapa de Flávio Bolsonaro, e o PSB defendendo a manutenção de Geraldo Alckmin ao lado do presidente.
Entre os jovens, na faixa etária de 16 a 34 anos, a desaprovação se mantém em um patamar elevado de 56%, com a aprovação estagnada em 40%. Este índice de desaprovação é o mesmo registrado em março, quando era 56%, e representa um aumento em relação aos 50% de fevereiro. A insatisfação entre os mais jovens pode ser um indicativo de preocupações com o futuro econômico e oportunidades no país, um desafio persistente para as políticas públicas.
Variações Regionais e Religiosas
Apesar da queda de dois pontos percentuais em relação a março (quando era 65%), o Nordeste continua sendo a região onde o governo federal desfruta da maior aprovação, com 63%. Contudo, nas demais regiões do país, a desaprovação é majoritária e mais acentuada: no Sudeste, 58% desaprovam; no Sul, 62%; e na região Centro-Oeste/Norte, 58%. Essa disparidade regional sublinha a complexidade da base de apoio do governo e os desafios de comunicação e implementação de políticas públicas em diferentes contextos geográficos, exigindo estratégias diferenciadas para cada área.
No recorte religioso, a pesquisa da Quaest aponta para uma estabilidade entre os católicos, onde a desaprovação marca 46% (eram 47% em março) e a aprovação se mantém em 49%. No entanto, entre os evangélicos, a desaprovação registrou um salto expressivo de sete pontos percentuais, passando de 61% em março para 68% neste mês. Este aumento na insatisfação entre os evangélicos pode ter implicações significativas para o cenário político, dado o peso eleitoral desse segmento e sua crescente influência no debate público.
Panorama Político e Econômico
O cenário de desaprovação se entrelaça com a percepção econômica da população. Outro dado relevante da Quaest indica que 72% dos brasileiros afirmam ter poucas ou muitas dívidas para pagar, um fator que pode influenciar diretamente a avaliação da gestão governamental. A preocupação com a situação financeira pessoal e familiar é um elemento constante no debate público e na formação da opinião sobre a administração, especialmente em um contexto de inflação e juros elevados.
Além disso, o levantamento da Quaest também contextualiza o momento político ao revelar que 43% dos brasileiros temem a volta da família Bolsonaro ao poder, enquanto 42% expressam receio de que o atual presidente continue no cargo. Essa polarização reflete a divisão profunda da sociedade e a incerteza quanto aos rumos políticos do país, com a disputa presidencial deste ano já se desenhando com intensidade e com a busca por apoio em diferentes frentes.
Metodologia da Pesquisa
A pesquisa da Quaest foi realizada entre os dias 9 e 13 de abril de 2026, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09285/2026, garantindo a transparência e a conformidade com as normas eleitorais vigentes no país.
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