Desafios Econômicos Aprofundam Desaprovação Governamental no Brasil

Pesquisa Quaest de abril de 2026 aponta que a desaprovação do governo atinge 52%, impulsionada pelo aumento dos preços dos alimentos (72%) e pelo endividamento familiar (72%). O cenário econômico desafiador e a percepção de piora na economia são fatores críticos, com a Selic recém-reduzida para 14,75%.

Uma nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, revela que a avaliação do governo federal não conseguiu reverter a tendência de piora, com 52% da população desaprovando a gestão e 43% aprovando. O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, aponta que a pressão crescente da inflação de alimentos e o endividamento das famílias brasileiras são os principais fatores por trás dessa percepção negativa, conforme análise do diretor da consultoria, Felipe Nunes.

Os dados da Quaest indicam uma consolidação da desaprovação, que atinge 52%, enquanto a aprovação se mantém em 43%. A parcela dos que não souberam ou não responderam é de 5%. Esta diferença entre desaprovação e aprovação tem se ampliado consistentemente desde o início do ano, sinalizando um desafio contínuo para a administração federal em reconquistar a confiança popular.

O principal motor dessa deterioração na percepção pública, segundo Felipe Nunes, é o custo dos alimentos nos mercados. O percentual de brasileiros que afirmam ter notado aumento nos preços dos alimentos no último mês saltou de 59% para 72%, uma variação de 14 pontos percentuais em relação a março. Essa escalada nos valores dos produtos essenciais impacta diretamente o poder de compra das famílias e a qualidade de vida, gerando insatisfação generalizada.

Além da inflação alimentar, o endividamento das famílias persiste como um problema de grande magnitude. Desde março do ano passado, o percentual de entrevistados que declaram ter poucas ou muitas dívidas a pagar subiu de 65% para 72%. A pesquisa detalha que 29% dos entrevistados possuem ‘muitas dívidas’ (eram 32% em maio de 2025), 43% têm ‘poucas dívidas’ (eram 33%), e 28% não possuem dívidas (eram 34%). A parcela dos que não sabem ou não responderam foi de 0% (era 1%).

A percepção geral sobre a economia também é desfavorável. 50% dos entrevistados acreditam que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 21% apontam melhora. ‘A percepção da população é que a economia está piorando’, enfatiza Nunes, refletindo um ambiente de incerteza e pessimismo que se espalha por diversos setores da sociedade.

Este cenário econômico adverso se desenrola em um contexto político complexo. A recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, representa a primeira queda desde maio de 2024. Embora a redução da Selic possa sinalizar um alívio futuro para o crédito e o investimento, seus efeitos ainda não foram percebidos pela maioria da população, que continua a sentir o peso da inflação e das dívidas no dia a dia. A pesquisa também apresenta dados de um possível segundo turno, onde Flávio Bolsonaro (PL) teria 42% e o presidente Lula (PT) alcançaria 40%, ilustrando a polarização e a disputa acirrada que marcam o panorama político nacional, com reflexos diretos na percepção da gestão atual.

O levantamento da Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09285/2026, garantindo a transparência e a credibilidade dos dados apresentados.

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