A República do Povo apurou que o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, revelou à Polícia Federal (PF) que a proposta para o controverso investimento de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master partiu do então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues. A declaração, feita em depoimento no dia 3 de fevereiro deste ano após sua prisão na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Itatiaia, no Sul do RJ, insere-se em um cenário de intensa investigação sobre supostas fraudes e irregularidades financeiras que impactam diretamente a autarquia responsável pelo pagamento de 235 mil servidores públicos estaduais aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro.
No detalhe de seu depoimento, Deivis Marcon Antunes negou veementemente ter recebido qualquer tipo de propina, seja direta ou indiretamente, pelos vultosos investimentos no Banco Master. Ele também refutou a alegação de que sua indicação para a presidência da autarquia teria sido de cunho político, embora fontes ouvidas pelo blog indiquem que a sugestão de seu nome teria partido de Antônio Rueda, presidente do União Brasil. O ex-governador Cláudio Castro (PL), por sua vez, afirmou ao blog não se recordar de quem indicou Deivis, mas admitiu: “Posso ter consultado Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações”, evidenciando a complexa teia de influências na nomeação para cargos estratégicos no estado.
O ex-presidente da Rioprevidência detalhou tecnicamente o processo de investimento de quase R$ 1 bilhão. Ele explicou à PF que “Esse investimento é proposto pela Diretoria de Investimentos. Eu até li uma coisa assim, que o Comitê [de Investimentos] não tinha autorizado… o comitê não autoriza investimentos. A diretoria faz a proposição do investimento, e aí o investimento é feito, e o diretor de investimentos faz o encaminhamento, e eu assino juntamente com ele o investimento”. Questionado sobre quem era o diretor de investimentos na época, Deivis prontamente respondeu: “O diretor de investimentos na época era o Euchério. Eu cheguei em julho [de 2023] e o Euchério chega em… Se não me engano, em outubro”, confirmando que foi Euchério quem indicou os investimentos.
Panorama de Irregularidades e Impacto
A controvérsia em torno dos aportes no Banco Master não é um caso isolado. Informações prévias revelam que a Rioprevidência descumpriu normas internas ao investir R$ 118 milhões em instituições não cadastradas, e os aportes da autarquia no Banco Master cresceram sete vezes em um ano sem o aval do comitê, conforme testemunhas. Tais práticas levantam sérias questões sobre a governança e a transparência na gestão dos recursos que garantem a aposentadoria e pensão de milhares de cidadãos fluminenses.
A atuação da Polícia Federal neste caso sublinha a gravidade das acusações de fraudes e a necessidade de responsabilização. A Rioprevidência, como gestora de um volume financeiro colossal e responsável pelo futuro de 235 mil servidores públicos estaduais aposentados e pensionistas, tem sua credibilidade e capacidade de gestão sob escrutínio público e judicial. A apuração detalhada dos fatos é crucial para restaurar a confiança na administração pública e assegurar a proteção dos fundos previdenciários do estado do Rio de Janeiro.
Fonte: ver noticia original
