O presidente brasileiro **Luiz Inácio Lula da Silva** (PT) lançou duras críticas ao ex-presidente norte-americano **Donald Trump**, afirmando que ele “não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo” e que não foi eleito “imperador do mundo”. A declaração, que sublinha a crescente preocupação com a instabilidade geopolítica global, foi concedida em uma entrevista detalhada publicada nesta quinta-feira, 16 de abril de 2026, pela renomada revista alemã **Der Spiegel**, e repercutida pelo portal **g1**. As falas de **Lula** coincidem com sua partida para uma importante viagem diplomática à **Europa**, com compromissos agendados na **Alemanha**, **Espanha** e **Portugal**, em um momento de intensas discussões sobre o futuro da ordem internacional.
A postura de **Lula** reflete uma visão crítica sobre a unilateralidade nas relações internacionais, ecoando preocupações já manifestadas anteriormente. “Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha”, enfatizou o presidente brasileiro. Esta não é a primeira vez que **Lula** se posiciona de forma contundente contra as ações de **Trump**; em julho de 2025, o presidente já havia feito uma declaração similar ao criticar o aumento de tarifas imposto pelos **Estados Unidos** ao **Brasil**. Naquela ocasião, a **Casa Branca** rebateu as críticas, afirmando que **Trump** não buscava ser o “imperador do mundo”, evidenciando um histórico de tensões diplomáticas entre as administrações.
Desafios à Governança Global e a Crise do Multilateralismo
A entrevista à **Der Spiegel** também revelou a frustração de **Lula** com a ineficácia dos mecanismos de governança global diante dos conflitos atuais. O presidente brasileiro afirmou ter solicitado aos líderes da **China**, **Xi Jinping**, da **Rússia**, **Vladimir Putin**, e da **França**, **Emmanuel Macron**, a convocação de uma reunião urgente do **Conselho de Segurança da ONU** para debater o conflito envolvendo o **Irã**. No entanto, a iniciativa não obteve a resposta esperada. “É como se estivéssemos à deriva em alto mar, em um navio sem capitão”, lamentou **Lula**, destacando a paralisia e a falta de consenso entre as grandes potências.
O impacto socioeconômico das guerras foi outro ponto central da crítica de **Lula**, que alertou para as consequências desproporcionais sobre as populações mais vulneráveis. “Não pode ser que **Trump** comece uma guerra com o **Irã** e que quem acabe pagando a conta sejam os pobres da **África** ou da **América Latina**, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, declarou o presidente, sublinhando a interconexão entre conflitos geopolíticos e a segurança alimentar global. Diante desse cenário, **Lula** sugeriu que o secretário-geral da **ONU**, **António Guterres**, deveria convocar uma **Assembleia Geral** extraordinária, onde líderes mundiais pudessem prestar contas e buscar soluções conjuntas para as crises.
Reforma do Conselho de Segurança da ONU e a Hipocrisia das Potências
A defesa de mudanças na composição do **Conselho de Segurança da ONU** foi reiterada por **Lula**, que argumenta pela inclusão de novos membros permanentes. Para o presidente, o órgão deveria refletir a realidade geopolítica do século XXI, com representantes da **África**, do **Oriente Médio**, e de países emergentes como o **Brasil** e a **Alemanha**. A crítica de **Lula** se aprofunda ao questionar a própria natureza do **Conselho**: “A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?”, indagou.
O presidente brasileiro apontou a contradição inerente à atuação das potências com poder de veto no **Conselho**, que são, ao mesmo tempo, os principais atores em conflitos globais. “São eles que possuem armas nucleares e travam guerras. A **França** e o **Reino Unido** intervieram na **Líbia**, os **Estados Unidos** invadiram o **Iraque**, a **Rússia** atacou a **Ucrânia**, **Israel** é responsável pela destruição de **Gaza**. E, agora, os **Estados Unidos** e **Israel** estão em guerra contra o **Irã**”, criticou **Lula**, expondo a complexa teia de interesses e responsabilidades nas crises internacionais. Essa visão ressalta a necessidade urgente de uma reconfiguração da arquitetura de segurança global para garantir maior legitimidade e eficácia.
Relações com Cuba e o Pragmatismo Econômico
Abordando as relações bilaterais, **Lula** foi questionado sobre uma possível ajuda energética brasileira a **Cuba**. O presidente esclareceu que o **Brasil** não enviou petróleo ou derivados ao país caribenho. A decisão, segundo ele, visa evitar possíveis impactos negativos sobre a **Petrobras**, a gigante estatal brasileira de petróleo, que possui ações negociadas na bolsa de **Nova York**. Essa cautela reflete a preocupação em proteger os interesses econômicos nacionais e a reputação de empresas brasileiras no mercado financeiro internacional, mesmo diante de boas relações diplomáticas com **Cuba**.
Fonte: ver noticia original
