A magistratura brasileira, em especial o **Supremo Tribunal Federal** (**STF**), encontra-se em um momento de intensa escrutínio e questionamento, com a necessidade de um “freio de arrumação” sendo clamada por vozes influentes. O colunista **Elio Gaspari**, em sua análise para a **Folha de S.Paulo** publicada em 18 de abril de 2026, às 23h00, destaca que, para além das “farofas, impropriedades e onipotências” atribuídas a alguns ministros, o cenário atual exige uma intervenção profunda para restaurar a credibilidade e a funcionalidade do sistema judicial.
A crítica de **Gaspari** ressoa em um ambiente político e social já tensionado, onde a percepção pública sobre a atuação do **STF** tem sido objeto de debates acalorados. A menção implícita ao famoso bordão do ex-deputado e humorista **Tiririca** (Francisco Everardo Oliveira Silva), “Pior do que está não fica”, no título original da coluna, sugere uma ironia amarga: a situação do Judiciário, para muitos observadores, parece ter se deteriorado a um ponto que desafia até mesmo o pessimismo mais resignado.
O Panorama de uma Crise Institucional
O que **Gaspari** e outros analistas apontam não é um problema isolado, mas um sintoma de uma crise institucional mais ampla que afeta a separação dos poderes e a confiança nas instituições democráticas. As “impropriedades” podem se referir a decisões controversas, a intervenções em outras esferas de poder ou a condutas que extrapolam o que se espera da imparcialidade judicial. As “onipotências”, por sua vez, aludem a uma percepção de que alguns membros do tribunal exercem um poder excessivo, por vezes sem os devidos contrapesos, gerando insegurança jurídica e instabilidade política.
Este cenário de desconfiança é alimentado por uma série de fatores, incluindo a judicialização excessiva da política, a polarização ideológica que se reflete até mesmo nas decisões judiciais, e a percepção de que o tribunal tem assumido um papel cada vez mais ativo na formulação de políticas públicas, invadindo a competência do Legislativo e do Executivo. A sociedade brasileira, que historicamente depositou grande esperança no Judiciário como guardião da Constituição, vê-se agora diante de questionamentos sobre a própria natureza e limites de sua atuação.
Impacto e a Urgência de uma Reorganização
O impacto dessa crise é multifacetado. No plano político, a tensão entre os poderes tem gerado impasses e dificultado a governabilidade. No plano econômico, a insegurança jurídica afasta investimentos e prejudica o ambiente de negócios. E, mais gravemente, no plano social, a erosão da confiança no Judiciário mina a crença na justiça e no Estado de Direito, elementos fundamentais para a coesão social.
A proposta de um “freio de arrumação” na magistratura, portanto, transcende a mera crítica à conduta individual de ministros. Ela se configura como um apelo por uma revisão estrutural e de conduta que possa restabelecer os limites institucionais, fortalecer a independência e a imparcialidade do Judiciário e, acima de tudo, reconectar o sistema de justiça com as expectativas e necessidades da população brasileira. A urgência dessa reorganização é premente para garantir a estabilidade democrática e a efetividade da justiça no país.
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