Familiares do músico brasileiro Tenório Júnior receberam, nesta quarta-feira (25), dois colares que pertenciam ao artista, em uma cerimônia realizada na sede do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, visando resgatar sua memória histórica.
As peças foram recuperadas pela Equipe Argentina de Antropologia Forense, que localizou os restos mortais do pianista no ano passado, permitindo a devolução simbólica de itens afetivos aos seus herdeiros diretos após décadas de incertezas.
O evento ocorreu no marco de 50 anos do golpe militar no país vizinho, reforçando a busca por reparação oficial e o reconhecimento da responsabilidade estatal no assassinato do instrumentista, que desapareceu em março de 1976 em Buenos Aires.
Operação Condor e buscas
Representantes do MPF destacaram que os trabalhos de busca continuam para identificar outros catorze brasileiros desaparecidos em solo argentino e cinco no território chileno, utilizando coletas de amostras de DNA de parentes vivos.
As investigações apontam que a repressão ocorreu sob a Operação Condor, uma aliança militar secreta entre as ditaduras da América do Sul para perseguir opositores políticos em uma rede de cooperação transnacional violenta.
Tenório Júnior, que acompanhava Vinícius de Moraes em turnê, foi detido por militares argentinos na capital federal e levado à Escola de Mecânica da Armada, onde teria sido torturado e executado com o conhecimento de autoridades brasileiras da época.
