A decisão do governo federal de encerrar a chamada “taxa das blusinhas”, imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme, desencadeou uma onda de críticas e preocupações entre as principais entidades do setor de varejo e da indústria nacional. Após quase dois anos de sua implementação, a revogação da tributação é classificada como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”, alertando para um cenário de concorrência desleal e o risco iminente de perda de milhões de empregos e bilhões em faturamento para o setor produtivo brasileiro.
A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) foi uma das primeiras a se manifestar, classificando a medida como um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”. A entidade enfatiza que o fim da tributação prejudica diretamente as empresas brasileiras, em particular as micro e pequenas companhias, que são as que “investem e sustentam a arrecadação do país”. Em um tom de indignação, a Abvtex questiona a lógica por trás da decisão: “É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro.”
Corroborando a preocupação, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) alertou que a medida vai “aprofundar a concorrência desigual” já enfrentada pelas empresas brasileiras, especialmente os pequenos e médios negócios. A FIEMG ressaltou que a decisão “amplia a assimetria competitiva entre a indústria nacional e plataformas internacionais de comércio eletrônico”. Para ilustrar o impacto potencial, a Federação reforçou um estudo publicado antes da implementação da taxação em 2024, que indicava que a manutenção do cenário sem a tributação poderia provocar a perda de 1,1 milhão de empregos e uma redução de R$ 99 bilhões no faturamento do setor produtivo nacional.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também se posicionou, reforçando o aspecto prejudicial da medida para a indústria brasileira e para o desenvolvimento do país. Entendida como um “retrocesso”, o fim da ‘taxação das blusinhas’ é vista pela entidade como uma decisão que amplia a desigualdade entre empresas nacionais e estrangeiras. O presidente da CNI, Ricardo Alban, foi categórico ao afirmar: “Permitir a entrada de importações de até 50 dólares sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil. O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro.”
Este cenário de descontentamento não é novo. Em abril, mais de 50 entidades já haviam lançado um manifesto contra o fim da taxação, evidenciando que a possibilidade de revogação já era amplamente discutida e criticada no ambiente político-econômico. A pressão do setor produtivo nacional, que inclui associações como a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a AbLos, tem sido constante, buscando proteger a indústria local de uma concorrência que consideram desleal. O debate sobre a “taxa das blusinhas” aquece o cenário político, com centrais sindicais alertando para o risco de desemprego com um possível recuo do governo, conforme noticiado anteriormente em “Debate sobre ‘Taxa das Blusinhas’ Aquece: Centrais Sindicais Alertam para Risco de Desemprego com Recuo do Governo”. O varejo nacional, por sua vez, exige a reclassificação da medida, alertando para o “incentivo chinês” e o impacto devastador na indústria, como detalhado em “Varejo Nacional Exige Reclassificação da ‘Taxa das Blusinhas’, Alertando para ‘Incentivo Chinês’ e Impacto Devastador na Indústria”. Enquanto especialistas apontam para um impacto imediato nos preços para o consumidor, o foco das entidades permanece na sustentabilidade das empresas brasileiras e na preservação dos empregos.
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