Ação da PF que acordou Castro no Rio e o Master em Maceió

Após menos de duas semanas desde uma primeira batida, esta que investiga o caso Refit, Cláudio Castro foi alvo novamente da Polícia Federal, dessa vez na 8ª fase da Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes do Banco Master.

A batida que tirou o sono de mais um ex-governador do Rio investigado tem ligação com quem pode estar perdendo o sono e que também está ligado ao caso Master em Maceió. No Rio, são aportes de cerca de R$ 3 bilhões da previdência pública do Estado no Banco Master.

Enquanto isso, Maceió, a capital que mais aportou em letras financeiras sem Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com o total de R$ 117 milhões, continua sem dar respostas aos servidores municipais.

Em abril de 2026, a Polícia Federal pediu ao STF a abertura de uma investigação específica sobre o aporte de R$ 117 milhões do IPREV de Maceió no Banco Master, ou seja, indo além da Compliance Zero, esta que levou a PF a Castro no Rio. Não há atualização pública sobre o andamento do pedido até agora.

Para relembrar: em novembro de 2023, documentos do próprio IPREV registram que uma consultoria chamada Crédito e Mercado apresentou o Banco Master como oportunidade ao fundo de previdência dos servidores municipais de Maceió.

Dois dias após a reunião de apresentação, o IPREV aprovou R$ 80 milhões e o total acumulado chegou a R$ 117 milhões, alocados em letras financeiras sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

A velocidade da decisão, 48 horas entre a apresentação e a aprovação, não encontra paralelo nos procedimentos ordinários de fundos previdenciários sujeitos a análise formal de risco.

O senador Renan Calheiros declarou, em coletiva de imprensa realizada no dia 24 de maio de 2026, em Arapiraca, que a operação ocorreu sem autorização do conselho do IPREV e que as assinaturas teriam sido fraudadas, com pessoas de fora do colegiado assinando documentos que autorizaram o aporte. Calheiros responsabilizou diretamente o prefeito João Henrique Caldas: “Quem botou o dinheiro de Maceió no Master e perdeu o dinheiro dos aposentados foi o prefeito de Maceió, daí a sua responsabilidade, inclusive criminal.”

A afirmação do senador Renan Calheiros, parlamentar amparado pela imunidade constitucional prevista no art. 53 da Constituição Federal para declarações proferidas em exercício do mandato, não é corroborada por nenhuma decisão judicial que atribua responsabilidade criminal ao ex-prefeito João Henrique Caldas até a data desta publicação. As alegações sobre fraude documental também não contam com comprovação judicial consolidada até o momento. As apurações continuam.

O senador afirmou ainda ter apresentado proposta para que o FGC passe a cobrir prejuízos de fundos previdenciários, o que confirma que a lacuna regulatória explorada nesse caso ainda persiste no sistema financeiro nacional.

A defesa do prefeito sustenta que o IPREV detém autonomia administrativa e que as decisões de investimento não são responsabilidade direta do chefe do Executivo municipal.

No mesmo período em que o IPREV alocava recursos no Master, a Prefeitura de Maceió transferiu a folha de pagamento dos servidores municipais para o BRB. Investigações da Polícia Federal apontam que o BRB repassava recursos ao Master para cobrir um rombo bilionário na instituição. O padrão temporal entre as duas operações é objeto de apuração, sem que a Polícia Federal tenha estabelecido, em documento público acessível até o fechamento desta edição, nexo causalentre a transferência da folha ao BRB e o aporte do IPREV no Master. Dois movimentos financeiros distintos, executados no mesmo intervalo, na mesma direção.

O prefeito João Henrique Caldas ingressou com ação judicial contra a Jovem Pan News Alagoas e contra uma advogada por conteúdos veiculados sobre o caso Master. O tipo de ação, o juízo competente e o estágio processual não foram localizados nos sistemas públicos de consulta processual até o fechamento desta edição. As investigações da PF seguem em curso, sem que nenhuma decisão sobre responsabilidade criminal tenha sido proferida até agora.

Os R$ 117 milhões, o equivalente à soma dos salários de aproximadamente 2.300 servidores municipais por um ano inteiro¹, ainda não retornaram ao IPREV e não constam na pauta de campanha ou debate público do então pré-candidato JHC. Os aposentados e servidores de Maceió aguardam uma resposta que nenhuma autoridade entregou e que hoje, dos representantes de Alagoas no Congresso, apenas Renan Calheiros parece falar a respeito.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *