Em um movimento que acentua a já complexa relação entre os Poderes no Brasil, a Câmara dos Deputados e o Senado Federal uniram forças nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, para defender perante o Supremo Tribunal Federal (STF) a plena validade da controversa Lei da Dosimetria. Esta norma, de significativo impacto, tem o potencial de reduzir as penas de réus condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, uma lista que inclui figuras proeminentes como o ex-presidente Jair Bolsonaro. A manifestação conjunta do Legislativo ocorre em resposta à solicitação do relator do caso, Ministro Alexandre de Moraes, que, em decisão monocrática, suspendeu a aplicação da lei até que o tribunal decida sobre sua constitucionalidade, gerando um embate direto sobre as prerrogativas de cada esfera de poder.
A defesa da Lei da Dosimetria por ambas as Casas do Congresso Nacional não é apenas uma questão jurídica, mas um claro posicionamento político que busca reafirmar a autonomia legislativa frente às decisões do Judiciário. A lei em questão, de número 15.402/2026, é vista pelo Legislativo como uma expressão legítima da vontade popular e um instrumento de justiça penal que deve ser aplicado, especialmente por ser considerada mais benéfica aos réus, conforme o princípio da retroatividade da lei penal mais favorável. A suspensão imposta pelo Ministro Alexandre de Moraes, conforme noticiado pela Agência Brasil, desencadeou uma série de reações, culminando nas manifestações formais enviadas ao STF, que agora terá a responsabilidade de arbitrar este conflito institucional.
Senado Federal Contesta Decisão Monocrática e Alerta para Impactos
O Senado Federal, por meio de sua advocacia, adotou uma postura incisiva, defendendo que o plenário do STF derrube a decisão individual de Moraes. A Casa argumenta que a suspensão da lei produz efeitos “graves e potencialmente irreversíveis”, impactando diretamente os condenados. Em sua manifestação, o Senado enfatizou a importância da aplicação imediata de uma lei mais benéfica, conforme trecho citado na notícia original da Agência Brasil: “Ao sustar a aplicação da Lei nº 15.402/2026, priva-se o condenado de lei mais benéfica em vigor, impondo-lhe, por decisão judicial provisória, regime de progressão mais gravoso do que aquele previsto pelo legislador”. Este posicionamento sublinha a preocupação com a segurança jurídica e a aplicação dos princípios do direito penal.
Câmara dos Deputados Reafirma Prerrogativa Legislativa e Soberania do Veto
A Câmara dos Deputados, por sua vez, reforçou a prerrogativa política do Congresso Nacional em ter a “palavra final” sobre o veto presidencial de matérias legislativas. A argumentação da Câmara centra-se na soberania do Parlamento no processo legislativo, defendendo que é o Congresso o ator principal na sistematização das leis e, portanto, o responsável por decidir sobre a derrubada ou manutenção de vetos. “O Congresso é o principal ator na sistematização do processo legislativo e possui a palavra final sobre o veto. Portanto, cabe ao Parlamento decidir como derrubar o veto”, completou a Casa, conforme a Agência Brasil. Esta defesa não apenas busca validar a Lei da Dosimetria, mas também reafirmar a autoridade do Legislativo na formulação e aprovação de leis, um pilar fundamental da democracia representativa.
O Cenário Político e a Tensão entre Poderes
Este embate em torno da Lei da Dosimetria se insere em um panorama político mais amplo de crescentes tensões entre o Poder Legislativo e o Poder Judiciário no Brasil. Nos últimos anos, observou-se uma intensificação dos debates sobre os limites da atuação de cada Poder, com o STF frequentemente sendo alvo de críticas por parte de parlamentares que o acusam de “ativismo judicial”. A defesa veemente da Lei da Dosimetria por Câmara e Senado é um exemplo claro dessa disputa por espaço e autoridade institucional. A questão dos atos de 8 de janeiro de 2023, que culminaram em condenações e processos em andamento, adiciona uma camada de sensibilidade política ao tema, tornando a decisão do STF sobre a constitucionalidade da lei ainda mais aguardada e com potencial de gerar repercussões significativas no cenário político nacional. Atualmente, pelo menos três ações diretas de inconstitucionalidade contestam a lei no Supremo Tribunal Federal, evidenciando a complexidade jurídica e o alto grau de polarização em torno do tema.
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