A nova fase da Operação Carbono Oculto, batizada de Fluxo Oculto, revelou que fintechs sediadas na Avenida Brigadeiro Faria Lima, o coração financeiro de São Paulo, movimentaram R$ 26 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), as empresas continuaram ocultando recursos do crime organizado mesmo após a ação realizada em agosto do ano passado, demonstrando a persistência e a capilaridade do esquema no sistema financeiro nacional.
As investigações, conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e pelo Núcleo de Combate aos Crimes Financeiros do MP-SP, apontam que as fintechs operavam como intermediárias para movimentar valores ilícitos, utilizando contas digitais e mecanismos de criptomoedas para dificultar o rastreamento. O montante de R$ 26 bilhões, segundo os promotores, representa apenas uma fração do total movimentado, já que parte das transações ocorria em paraísos fiscais e por meio de empresas de fachada.
A operação, deflagrada na manhã desta quarta-feira, cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados às fintechs suspeitas, além de residências de executivos e contadores envolvidos. O MP-SP destacou que o esquema não se limitava ao PCC, mas envolvia também facções criminosas do Rio de Janeiro e do Nordeste, ampliando o impacto do crime organizado no sistema financeiro formal. A Avenida Faria Lima, conhecida por concentrar grandes bancos e startups de tecnologia, tornou-se um polo de lavagem de dinheiro, com empresas que ofereciam serviços de câmbio, pagamentos e investimentos sem a devida fiscalização.
O cenário político e econômico brasileiro, marcado por debates sobre regulação do mercado financeiro e combate à corrupção, ganha novos contornos com essa revelação. Especialistas ouvidos pelo portal Republica do Povo apontam que a falta de supervisão sobre fintechs e a ausência de mecanismos robustos de compliance facilitam a infiltração do crime organizado. A operação Fluxo Oculto ocorre em um momento de tensão no Congresso Nacional, onde tramitam projetos de lei que visam endurecer as regras para instituições financeiras digitais, mas que enfrentam resistência de setores do mercado.
O MP-SP informou que as investigações continuam e que novas fases da operação podem ser deflagradas nos próximos meses. A Polícia Federal e a Receita Federal também acompanham o caso, que já resultou no bloqueio de bens e contas bancárias dos envolvidos. A expectativa é que o esquema tenha ramificações internacionais, com conexões em países como Paraguai, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, onde parte dos recursos era enviada.
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