A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, atualmente com 18 anos, relatou nesta quinta-feira (28), no quarto dia de julgamento do caso Henry Borel, ter sido agredida pelo réu, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. O depoimento ocorreu no 2º Tribunal do Júri no Rio de Janeiro, onde Jairinho e Monique Medeiros, mãe do menino Henry, são julgados pela morte da criança de 4 anos, em março de 2021. Kaylane, filha de Natasha de Oliveira Machado, ex-namorada de Jairinho, narrou episódios de violência física e psicológica que sofreu entre os 3 e 7 anos de idade, durante o relacionamento da mãe com o então vereador.
Kaylane detalhou que as agressões ocorriam do meio para o fim do período de convivência com Jairinho, que durou até ela ter cerca de 7 anos. “Era tudo junto, ele pegava a minha cabeça, ficava batendo na quinta, depois torcia o meu braço, me dava moca [socos na cabeça], ia repetindo e depois eu ia embora para casa”, contou a testemunha, que chegou a chorar durante momentos do depoimento. A jovem também afirmou que era submetida a um ritual de “afundamento” na piscina da residência do ex-vereador, sendo forçada a ficar submersa até quase se afogar. A pedido de Kaylane, o testemunho foi realizado sem a presença de Jairinho no plenário do júri, embora Monique Medeiros tenha presenciado o depoimento.
A estudante esclareceu que não chegou a morar na casa do vereador, mas que passava tempo com o casal e também sozinha com ele. As agressões, segundo ela, incluíam socos, torções e afogamentos, e ocorriam de forma repetitiva. O depoimento de Kaylane é considerado crucial para o Ministério Público, que busca demonstrar um padrão de violência do réu contra crianças. O caso ganhou repercussão nacional após a morte de Henry Borel, que, segundo laudos periciais, apresentava múltiplas lesões compatíveis com agressões físicas. O julgamento, que ocorre no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, também conta com depoimentos de testemunhas de acusação e defesa, além de perícias técnicas.
O panorama político e social do caso é marcado por intensa comoção pública e debates sobre violência doméstica e infantil. A atuação do ex-vereador, que ocupava cargo eletivo na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, levanta questões sobre a impunidade de figuras públicas e a necessidade de proteção a crianças em situação de vulnerabilidade. O julgamento, que deve se estender por mais dias, é acompanhado por organizações de defesa dos direitos humanos e pela imprensa, que destacam a importância de testemunhos como o de Kaylane para a responsabilização dos acusados. A defesa de Jairinho, por sua vez, tenta questionar a credibilidade das testemunhas e das provas, enquanto o Ministério Público sustenta a tese de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
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