O prefeito de Maceió, JHC, criticou duramente a situação do Hospital Regional de Arapiraca, classificando o cenário como “descaso” na saúde pública. A declaração foi feita durante entrevista à imprensa local, onde o gestor municipal apontou a precariedade das instalações, a falta de insumos básicos e a superlotação como problemas crônicos que afetam diretamente a população do Agreste alagoano. A crítica ocorre em meio a um contexto de tensão política entre o Executivo municipal e o governo estadual, que administra a unidade hospitalar.
O Hospital Regional de Arapiraca, referência para mais de 400 mil habitantes de 40 municípios da região, enfrenta há meses denúncias de falta de medicamentos, equipamentos quebrados e déficit de profissionais. A unidade, que deveria funcionar como porta de entrada para urgências e emergências, tem sido palco de protestos de servidores e pacientes que relatam condições insalubres e demora no atendimento. JHC afirmou que a situação é “inaceitável” e cobrou do governo de Paulo Dantas (MDB) uma intervenção imediata para reverter o quadro.
Panorama político e impacto na saúde pública
A crise no Hospital Regional de Arapiraca não é um fato isolado. Ela reflete um padrão de precariedade que atinge diversas unidades de saúde em Alagoas, especialmente no interior do estado. Dados do Conselho Regional de Medicina (CRM-AL) apontam que, nos últimos dois anos, pelo menos cinco hospitais regionais registraram interdições parciais ou totais por falta de condições mínimas de funcionamento. A situação agravou-se com a pandemia de Covid-19, que expôs fragilidades estruturais e orçamentárias do sistema público de saúde alagoano.
O embate entre JHC e o governo estadual ganha contornos políticos em ano eleitoral. O prefeito de Maceió, que busca a reeleição, tem utilizado a crise hospitalar como bandeira para criticar a gestão de Paulo Dantas, que por sua vez tenta se consolidar como herdeiro político do grupo do senador Renan Calheiros (MDB). A disputa acirrada entre as duas principais forças políticas do estado — o grupo de JHC (sem partido definido, mas com apoio de setores conservadores) e a base aliada do governador — tem polarizado o debate sobre saúde pública, com acusações mútuas de negligência e falta de investimentos.
Enquanto isso, a população de Arapiraca e região continua a sofrer com a falta de assistência. Pacientes com doenças crônicas, gestantes e vítimas de acidentes são os mais afetados, muitas vezes obrigados a percorrer longas distâncias até Maceió para conseguir atendimento. A superlotação do Hospital Geral do Estado (HGE), na capital, também é reflexo da crise regional, já que a unidade acaba absorvendo pacientes que deveriam ser atendidos no interior.
Diante do impasse, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AL) e o Ministério Público Estadual (MPE-AL) já anunciaram que vão cobrar explicações do governo estadual e podem ingressar com ações judiciais para garantir o funcionamento adequado do Hospital Regional de Arapiraca. A situação, que já era crítica, tornou-se um dos principais temas da agenda política alagoana, com desdobramentos que podem influenciar as eleições de 2024.
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