A transição na Prefeitura de Maceió expõe um cenário de desafios estruturais deixados pelo ex-prefeito JHC para o sucessor Rodrigo Cunha. A gestão que se encerra deixa como herança um conjunto de problemas fiscais, obras paralisadas e serviços públicos pressionados, conforme aponta a reportagem original do portal Cadaminuto.
Entre os principais entraves, destacam-se o déficit nas contas municipais, com estimativas de rombo superior a R$ 200 milhões, e a paralisação de pelo menos 15 obras de infraestrutura urbana, incluindo creches, unidades de saúde e pavimentação de vias. A dívida com fornecedores, segundo dados da própria prefeitura, ultrapassa R$ 150 milhões, o que compromete o fluxo de caixa para os primeiros meses da nova gestão.
Saúde e educação sob pressão
Na área da saúde, a rede municipal enfrenta superlotação nas UPAs e falta de medicamentos básicos, com estoques críticos em 40% das farmácias públicas. Já na educação, o abandono de reformas em escolas e a defasagem salarial de professores geraram greves e protestos nos últimos meses. O novo prefeito terá que negociar com sindicatos e buscar recursos federais para reverter o quadro.
O cenário político também é complexo: a base de apoio de JHC na Câmara Municipal se fragmentou, e Rodrigo Cunha precisará recompor alianças para aprovar projetos essenciais, como o orçamento de 2025 e a renegociação de dívidas. A oposição, fortalecida após as eleições, promete fiscalizar cada passo da transição.
Especialistas ouvidos pelo Cadaminuto apontam que a situação fiscal de Maceió é uma das mais delicadas entre as capitais do Nordeste, com índice de endividamento acima da média e receitas em queda. A herança deixada por JHC, portanto, impõe a Rodrigo Cunha a necessidade de um choque de gestão nos primeiros 100 dias, com cortes de despesas, revisão de contratos e busca por parcerias público-privadas para destravar investimentos.
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