A senadora Dra. Eudócia (PL-AL) afirmou que a crise do Banco Master repete o esquema envolvendo créditos consignados do INSS e pediu a reabertura de investigações sobre os escândalos do BMG e do INSS, apontando ligação direta do senador Renan Calheiros (MDB-AL) com os casos. Em pronunciamento no plenário do Senado, a parlamentar acusou Calheiros de atuar em favor do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e de ter sido beneficiário de operações suspeitas no passado.
A declaração ocorre em meio à crise financeira que atinge o Banco Master, instituição que enfrenta investigações por supostas irregularidades em operações de crédito consignado. Dra. Eudócia destacou que o caso atual tem “a mesma história” dos escândalos do BMG e do INSS, que resultaram em condenações e multas milionárias no passado. “Estamos diante de um padrão: o uso político para favorecer bancos privados em detrimento dos aposentados e pensionistas do INSS”, afirmou a senadora.
Panorama político e histórico de escândalos
O escândalo do BMG, revelado em 2014, envolveu a concessão de crédito consignado a segurados do INSS com taxas abusivas e descontos indevidos. Na época, Renan Calheiros foi citado em depoimentos como intermediário de interesses do banco junto ao governo federal. Já o caso Master, que veio à tona em 2025, expõe operações semelhantes, com suspeitas de favorecimento a Daniel Vorcaro por meio de articulações políticas no Congresso.
A senadora pediu a reabertura das investigações sobre o BMG e o INSS, argumentando que as provas obtidas no caso Master podem esclarecer conexões não investigadas anteriormente. “Não podemos permitir que esses esquemas fiquem impunes. O dinheiro dos aposentados foi usado para enriquecer bancos e políticos”, declarou Dra. Eudócia, que também solicitou a convocação de Renan Calheiros para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o Banco Master.
Impactos e reações
A crise do Banco Master já gerou perdas bilionárias para investidores e afetou a confiança no sistema financeiro. O Banco Central abriu processo administrativo contra a instituição, enquanto o Ministério Público Federal investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. A senadora alertou que o caso pode ter repercussões internacionais, já que parte dos recursos teria sido desviada para paraísos fiscais.
Renan Calheiros, por sua vez, negou as acusações e classificou a fala de Dra. Eudócia como “politicagem barata”. Em nota, o senador afirmou que nunca teve qualquer relação com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro e que as investigações devem seguir o rito legal. O embate entre os dois senadores de Alagoas expõe o racha político no estado e acirra a tensão no Congresso, especialmente em ano eleitoral.
Para especialistas, o caso reforça a necessidade de maior regulação do crédito consignado e de transparência nas relações entre bancos e políticos. A reabertura das investigações sobre o BMG e o INSS pode trazer à tona novas evidências de corrupção sistêmica, com potencial de atingir figuras importantes do cenário nacional.
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