O ator Bruno Montaleone, ex-namorado da influenciadora Sasha Meneghel, usou as redes sociais nesta segunda-feira (26) para criticar duramente o posicionamento do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em relação à decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A declaração do artista ocorre após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitir uma nota oficial na qual expressa “preocupação” com a medida unilateral americana, sem, no entanto, condenar ou endossar a classificação. Montaleone, que acumula mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, afirmou que a reação do governo brasileiro foi “fraca e covarde”, ecoando críticas de parlamentares da oposição e setores da sociedade civil que veem na postura uma falta de alinhamento com o combate internacional ao crime organizado.
A nota do Itamaraty, divulgada no sábado (24), afirma que o Brasil “repudia qualquer ingerência externa em assuntos de segurança nacional” e que “o combate ao crime organizado deve ser feito de forma soberana, respeitando os marcos legais de cada país”. O documento, contudo, não menciona as ações concretas que o governo pretende adotar para enfrentar o PCC e o Comando Vermelho, que há décadas expandem suas operações para além das fronteiras brasileiras, com ramificações em países como Paraguai, Bolívia, Colômbia e até mesmo nos Estados Unidos. A decisão de Washington, tomada pelo Departamento de Estado sob a administração do presidente Joe Biden, inclui as duas facções na lista de organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês), o que permite ao governo americano congelar bens, bloquear transações financeiras e processar criminalmente qualquer pessoa ou entidade que forneça apoio material aos grupos.
Repercussão política e reações da oposição
A crítica de Bruno Montaleone não é um caso isolado. Deputados federais do Partido Novo, do União Brasil e do PL também se manifestaram contra a postura do governo Lula. O deputado Kim Kataguiri (União-SP) classificou a nota como “um tapa na cara das vítimas do crime organizado”, enquanto a deputada Carla Zambelli (PL-SP) afirmou que o governo “prefere proteger bandidos a defender o Brasil”. A oposição tem usado o episódio para questionar a política de segurança pública do governo federal, que, segundo críticos, tem sido leniente com facções criminosas. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2025, o Brasil registrou mais de 47 mil homicídios, muitos deles ligados a disputas territoriais entre o PCC e o Comando Vermelho. A classificação americana, na visão dos críticos, poderia abrir caminho para sanções econômicas e cooperação internacional mais efetiva contra o crime organizado, mas a cautela do governo brasileiro é vista como um obstáculo.
Por outro lado, analistas de relações internacionais apontam que a posição do Itamaraty reflete uma preocupação com a soberania nacional e com o precedente que a classificação unilateral pode criar. “O Brasil sempre defendeu o princípio da não intervenção e o respeito aos marcos legais de cada país. Aceitar passivamente uma classificação externa de grupos criminosos como terroristas poderia abrir brechas para ingerências em outras áreas”, afirmou o professor de direito internacional Alberto do Amaral, da Universidade de São Paulo (USP). No entanto, ele reconhece que a nota poderia ter sido mais incisiva no combate ao crime organizado. “O governo poderia, ao mesmo tempo, reafirmar a soberania e anunciar medidas concretas de cooperação, como o compartilhamento de inteligência e o fortalecimento das fronteiras.”
O contexto das facções e o impacto da decisão americana
O PCC, fundado em 1993 na cidade de São Paulo, e o Comando Vermelho, originado no Rio de Janeiro na década de 1970, são as duas maiores facções criminosas do Brasil, com presença em todos os estados e em mais de 20 países. Estima-se que o PCC tenha cerca de 40 mil membros e movimente bilhões de reais por ano com tráfico de drogas, armas e roubos a bancos. O Comando Vermelho, por sua vez, controla grande parte do tráfico de cocaína no Rio de Janeiro e tem alianças com cartéis mexicanos e colombianos. A classificação como organizações terroristas pelos EUA permite que o governo americano utilize ferramentas de combate ao terrorismo, como vigilância eletrônica, interceptação de comunicações e operações conjuntas com agências de inteligência de outros países. No entanto, especialistas alertam que a medida pode ter efeitos colaterais, como a criminalização de migrantes brasileiros nos EUA e o aumento da tensão diplomática entre os dois países.
O governo brasileiro, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado pelo ministro Ricardo Lewandowski, informou que está avaliando a decisão americana e que manterá diálogo com as autoridades dos EUA para “evitar mal-entendidos”. Lewandowski, em entrevista coletiva na sexta-feira (23), disse que o Brasil “não pode aceitar que grupos criminosos sejam tratados como terroristas sem um debate multilateral aprofundado”. A fala do ministro foi criticada por setores da segurança pública, que veem na postura uma “falta de urgência” diante do poderio das facções. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se manifestou, afirmando que “o governo federal precisa agir com mais firmeza” e que a classificação americana “é uma oportunidade para o Brasil mostrar que está comprometido com o combate ao crime organizado”.
Enquanto isso, Bruno Montaleone segue repercutindo o tema em suas redes sociais. Em um vídeo publicado no Instagram, o ator disse: “O Brasil não pode mais ser refém do crime organizado. O governo Lula precisa acordar e agir, não ficar emitindo notas mornas enquanto o PCC e o Comando Vermelho matam e destroem famílias”. A publicação já acumula mais de 500 mil visualizações e milhares de comentários, divididos entre apoiadores e críticos. A situação coloca o governo Lula em uma posição delicada, tendo que equilibrar a defesa da soberania nacional com a pressão interna e externa por uma postura mais dura contra o crime organizado.
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