Uma mulher cadeirante foi presa em flagrante na tarde desta quinta-feira, 10 de abril de 2025, ao tentar ingressar no Presídio de Segurança Máxima de Maceió portando celulares e drogas. A ação ocorreu durante a revista de rotina na unidade prisional, localizada no bairro do Tabuleiro do Martins, e mobilizou agentes penitenciários e policiais civis. A suspeita, que não teve o nome divulgado, foi conduzida à Central de Flagrantes, onde permanece à disposição da Justiça.
De acordo com informações da Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), os objetos apreendidos incluem dois aparelhos celulares, carregadores e uma quantidade não especificada de entorpecentes, possivelmente maconha e cocaína. A mulher, que utiliza cadeira de rodas, foi abordada após os agentes notarem irregularidades no procedimento de entrada. A suspeita tentou esconder os itens em uma bolsa e em compartimentos adaptados na cadeira, mas o esquema foi descoberto durante a revista minuciosa.
Panorama político e social
O caso ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança nos presídios alagoanos. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que, em 2024, o sistema prisional de Alagoas registrou mais de 200 tentativas de entrada de materiais ilícitos, com destaque para celulares, que são usados para coordenar crimes dentro e fora das unidades. A prisão de uma pessoa com deficiência física levanta debates sobre a vulnerabilidade de grupos marginalizados no crime organizado e a eficácia das revistas, que muitas vezes falham em detectar itens escondidos em equipamentos de acessibilidade.
Para especialistas em segurança pública, o episódio expõe a necessidade de treinamento específico para agentes penitenciários lidarem com visitantes com deficiência, sem comprometer a segurança. A Defensoria Pública de Alagoas, por meio de nota, afirmou que acompanhará o caso para garantir que os direitos da suspeita sejam respeitados, mas ressaltou que a entrada de ilícitos em presídios é um problema sistêmico que exige ações integradas entre os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo.
O governo de Alagoas, sob a gestão do governador Paulo Dantas (MDB), anunciou em fevereiro deste ano um pacote de medidas para modernizar as revistas, incluindo a instalação de scanners corporais e a capacitação de agentes. No entanto, críticos apontam que a implementação é lenta e que casos como este mostram que as brechas persistem. A oposição na Assembleia Legislativa, liderada por deputados do PL e do PSDB, cobrou explicações e pediu a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a segurança nos presídios.
A prisão da cadeirante também reacende o debate sobre a inclusão social e a prevenção ao crime. Organizações de direitos humanos, como a Associação de Amigos e Familiares de Presos (Amparar), alertam que a falta de políticas públicas para pessoas com deficiência pode torná-las alvos fáceis de facções criminosas, que as recrutam para transportar ilícitos devido à menor suspeição. A Seris, por sua vez, informou que abrirá um procedimento interno para apurar se houve falha na segurança e se a suspeita agiu sozinha ou em conluio com outros visitantes ou servidores.
Até o fechamento desta edição, a mulher permanecia detida na Central de Flagrantes, e a polícia investiga a origem dos materiais apreendidos. O caso deve ser encaminhado à Vara de Execuções Penais de Maceió, que decidirá sobre a prisão preventiva. Enquanto isso, o sistema prisional alagoano segue sob escrutínio, com a sociedade cobrando respostas efetivas para coibir a entrada de ilícitos e garantir a segurança de todos os envolvidos.
Fonte: ver noticia original

