A primeira mulher brasileira a ocupar a presidência da Casa Gallo no Brasil, Cristiane Souza, 51, assumiu o cargo em meio a uma conjuntura desafiadora e promissora: a repaginação da marca e a crise da safra da azeitona em 2024, que elevou o preço do azeite a patamares históricos. Com um plano ambicioso, a executiva pretende dobrar as vendas do produto, aproveitando a demanda aquecida e a necessidade de reposicionamento no mercado nacional.
A crise na safra de azeitonas, agravada por eventos climáticos extremos no Mediterrâneo, reduziu drasticamente a oferta global de azeite, elevando os preços em até 50% em alguns mercados. No Brasil, o produto tornou-se artigo de luxo, com registros de supermercados trancando estoques para evitar furtos. Esse cenário, embora adverso, abriu oportunidades para marcas consolidadas como a Casa Gallo, que busca ampliar sua participação em um segmento cada vez mais competitivo.
Estratégia de expansão e inovação
O plano de Cristiane Souza inclui a diversificação de portfólio, com o lançamento de óleos de oliva como alternativa mais acessível ao azeite puro, e o fortalecimento da presença digital e em canais de venda direta ao consumidor. A executiva também aposta na comunicação da qualidade e origem do produto, em um momento em que consumidores buscam marcas confiáveis em meio à volatilidade de preços.
A repaginação da marca, iniciada antes mesmo da crise, agora ganha novo impulso. A Casa Gallo investe em embalagens modernas, campanhas educativas sobre o uso do azeite e parcerias com chefs e influenciadores gastronômicos. O objetivo é não apenas recuperar margens, mas consolidar a liderança em um mercado que, apesar dos desafios, projeta crescimento de longo prazo.
Panorama político e econômico
A nomeação de Cristiane Souza reflete uma tendência mais ampla no setor corporativo brasileiro, onde mulheres vêm assumindo posições de comando em empresas tradicionalmente lideradas por homens. Esse movimento ocorre em paralelo a debates sobre igualdade de gênero e diversidade nas lideranças, impulsionados por políticas públicas e pressão de investidores.
No âmbito econômico, a alta do azeite insere-se em um contexto de inflação de alimentos, que pressiona o orçamento das famílias e desafia o governo federal a equilibrar medidas de controle de preços com estímulos à produção nacional. A crise da safra também reacendeu discussões sobre a dependência brasileira de importações de azeite, principalmente da Europa, e a necessidade de incentivos à olivicultura no país, especialmente no Rio Grande do Sul e na Serra da Mantiqueira.
Enquanto isso, a Casa Gallo segue como um dos principais players do setor, com a missão de transformar a crise em oportunidade. Sob a liderança de Cristiane Souza, a empresa aposta em inovação, marketing e capilaridade para atingir a meta de dobrar as vendas, em um mercado que, apesar das turbulências, continua a aquecer.
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