Flávio Bolsonaro é aliado de chefe do núcleo político do Comando Vermelho, aponta PF

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mantém aliança política com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), que foi indiciado pela Polícia Federal como “o chefe do núcleo político” do Comando Vermelho, uma das principais facções criminosas do país. A revelação, publicada pelo colunista Celso Rocha de Barros na Folha de S.Paulo em 30 de maio de 2026, expõe um elo direto entre um dos nomes mais influentes da direita brasileira e o crime organizado, em meio a um cenário de crescente tensão política e de segurança pública.

A investigação da PF, que já dura meses, aponta que Bacellar atuava como articulador político do Comando Vermelho, utilizando sua posição na Alerj para beneficiar a facção. O indiciamento ocorreu em fevereiro de 2026, sob suspeita de vazar dados sigilosos para a organização criminosa. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é apontado como aliado de Bacellar, o que levanta questionamentos sobre o envolvimento de parlamentares com estruturas criminosas no estado fluminense.

Panorama político e impacto

A revelação ocorre em um momento de forte debate sobre a segurança pública no Brasil, agravado pela recente decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A medida, anunciada pelo governo norte-americano, amplia a pressão sobre o Brasil para que adote medidas mais duras contra o crime organizado e expõe divergências políticas internas sobre como lidar com o problema.

Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca uma resposta diplomática e jurídica, setores da oposição, como o próprio Flávio Bolsonaro, têm criticado a postura do Executivo. A ligação do senador com Bacellar, no entanto, coloca em xeque a credibilidade de seus discursos contra a criminalidade e acirra a disputa política entre Lula e a família Bolsonaro pelo eleitorado indeciso, especialmente no Rio de Janeiro, estado onde a violência e a influência de facções são mais evidentes.

Além disso, a investigação da PF sobre Bacellar e sua relação com Flávio Bolsonaro ocorre em paralelo a outros escândalos que envolvem o ex-presidente da Alerj. Em fevereiro de 2026, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Bacellar, e uma empresa ligada a um pré-candidato a deputado do PL, partido de Flávio Bolsonaro, ganhou R$ 1,6 milhão em contratos alvo da operação. Esses fatos reforçam a percepção de que o crime organizado tem se infiltrado em estruturas políticas no Rio de Janeiro, com consequências diretas para a segurança pública e a estabilidade institucional.

O caso também reacende o debate sobre a necessidade de uma política de segurança mais integrada entre os poderes e de combate à corrupção que envolve agentes públicos. Enquanto isso, a população fluminense continua a sofrer com altos índices de violência, e a decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas pode trazer novas implicações para a atuação das forças de segurança no Brasil, especialmente no que diz respeito ao compartilhamento de informações e à cooperação internacional.

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