Cadeirante é detida ao tentar ingressar com celulares e drogas em presídio de segurança máxima em Maceió

Uma mulher cadeirante foi presa na tarde deste sábado (30) ao tentar entrar com celulares e entorpecentes na Penitenciária de Segurança Máxima de Alagoas (PSM2), localizada na parte alta de Maceió. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Ressocialização e Inclusão Social (Seris), que detalhou que a suspeita foi flagrada durante o procedimento de revista de rotina na unidade prisional.

De acordo com a Seris, a mulher, que não teve a identidade revelada, portava os materiais ilícitos escondidos em sua cadeira de rodas e em pertences pessoais. A ação ocorreu por volta das 14h, quando agentes penitenciários realizaram a inspeção de entrada. Foram apreendidos aparelhos celulares, carregadores e uma quantidade ainda não especificada de drogas, possivelmente maconha e cocaína, conforme primeiras informações da pasta.

Contexto e desafios no sistema prisional alagoano

O episódio ocorre em meio a um cenário de constantes tentativas de ingresso de ilícitos em presídios de Alagoas, que enfrenta desafios estruturais e de segurança. A PSM2, unidade de segurança máxima, abriga detentos de alta periculosidade e é alvo frequente de tentativas de entrada de materiais proibidos, muitas vezes orquestradas por organizações criminosas. A utilização de pessoas com deficiência, como cadeirantes, para burlar a fiscalização é uma tática já registrada em outros estados brasileiros, evidenciando a criatividade e a ousadia das redes criminosas.

A prisão da mulher levanta questionamentos sobre a eficácia dos protocolos de revista e a necessidade de treinamento específico para agentes lidarem com visitantes com necessidades especiais. Especialistas em segurança pública apontam que a falta de equipamentos de scanner corporal e a dependência de revistas manuais podem facilitar a ação de criminosos. A Seris, por sua vez, afirmou que a suspeita foi encaminhada à Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual (Decap) para os procedimentos legais, e que a investigação segue em andamento para identificar possíveis conexões com facções criminosas.

O caso também reacende o debate sobre a superlotação e as condições precárias do sistema prisional alagoano, que, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), opera com mais de 150% de sua capacidade. A falta de investimentos em tecnologia e em recursos humanos é apontada como um dos principais entraves para coibir a entrada de ilícitos. Enquanto isso, a população carcerária continua a receber visitas que, em muitos casos, se tornam canais de comunicação com o crime organizado.

A mulher cadeirante permanece detida e aguarda audiência de custódia. A Seris não informou se ela possui antecedentes criminais ou se já havia tentado entrar no presídio anteriormente. O caso serve como alerta para a necessidade de revisão dos procedimentos de segurança e de políticas de inclusão que não comprometam a ordem nas unidades prisionais.

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