Crise na ‘Taxa das Blusinhas’: Governo Federal Reacende Debate sobre Revogação em Meio a Impasse Político e Econômico

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT-SP) reafirmou, em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (27/5), sua defesa da chamada ‘taxa das blusinhas’ — a cobrança de imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50 — mesmo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recuar e revogar a medida em meio ao ano eleitoral. ‘Não mudei de opinião’, declarou Haddad, que enfrenta uma difícil campanha para o governo do Estado de São Paulo, onde aparece com até 26% das intenções de voto, contra 38% do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), segundo levantamento da Quaest divulgado no fim de abril.

A taxa, criada em 2024 e revogada agora, gerou um impasse político entre o governo federal e os estados. Haddad argumenta que ‘uma loja aberta não pode pagar mais imposto do que uma loja virtual’, ecoando a posição da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que afirmou em abril que a medida preservou 135 mil empregos. ‘Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor do ICMS que ele está cobrando’, criticou Haddad, mirando o adversário direto na disputa estadual.

Panorama político e econômico

A revogação da taxa ocorre em um contexto de pressão eleitoral e de desgaste do governo Lula, que havia sinalizado apoio à medida no programa Sem Censura, da TV Brasil, mas recuou diante da reação popular e de setores do comércio. Haddad, que é o único petista a disputar uma eleição presidencial além de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff, perdeu para Jair Bolsonaro (PL) em 2018. Agora, ele busca se consolidar como alternativa em São Paulo, enquanto o PT discute a sucessão presidencial para 2026, provavelmente a última disputa de Lula.

Embora o período oficial de campanha ainda não tenha começado, Haddad já percorre o interior e universidades. A definição do candidato a vice em sua chapa deve ocorrer ‘até dia 10, 15 de junho’, segundo ele. A polêmica sobre a taxa das blusinhas, no entanto, continua a dividir opiniões: enquanto a CNI defende a proteção da indústria nacional, críticos apontam impacto no consumidor e no comércio eletrônico. O impasse reflete as tensões entre desenvolvimento industrial e livre comércio, em um ano eleitoral que promete acirrar debates econômicos.

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