Alagoas registra a 5ª maior taxa de homicídios de mulheres negras do Brasil, aponta Atlas da Violência 2026

O estado de Alagoas registra a 5ª maior taxa de homicídios de mulheres negras do Brasil, com 5,9 assassinatos por 100 mil mulheres negras, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta quinta-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O índice, que supera a média nacional de 4,2 homicídios por 100 mil, expõe uma forte desigualdade racial na violência letal contra mulheres no estado e no país.

O levantamento, que analisa dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde entre 2014 e 2024, aponta que, em Alagoas, a taxa de homicídios de mulheres negras é 2,3 vezes maior que a de mulheres não negras (brancas, amarelas e indígenas), que ficou em 2,6 por 100 mil. A diferença reflete um padrão nacional: enquanto a taxa de homicídios de mulheres não negras caiu 12% no período, a de mulheres negras subiu 1,5% no Brasil, e em Alagoas o aumento foi de 3,2%.

Panorama nacional e regional

No ranking nacional, Alagoas fica atrás apenas de Roraima (8,1), Amapá (7,4), Bahia (6,8) e Maranhão (6,2). A região Nordeste concentra as maiores taxas, com média de 5,1 homicídios de mulheres negras por 100 mil, enquanto o Sudeste tem a menor, com 3,0. O estudo também revela que, em Alagoas, 78% das vítimas de homicídio feminino em 2024 eram negras, contra 22% de não negras, e que a maioria dos crimes (62%) ocorreu dentro de casa, com uso de arma branca ou fogo.

O Atlas da Violência 2026 destaca que a violência letal contra mulheres negras está associada a fatores como racismo estrutural, desigualdade de acesso a serviços de proteção, impunidade e fragilidade das redes de apoio. Em Alagoas, a taxa de feminicídio (homicídio por razões de gênero) entre mulheres negras é de 3,1 por 100 mil, contra 1,4 entre não negras, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL).

Impacto e reações

Os números acendem alerta para a necessidade de políticas públicas específicas. A Defensoria Pública do Estado de Alagoas (DPE-AL) e o Movimento Negro Unificado (MNU) emitiram notas cobrando ações integradas entre os poderes. A Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (SEMUDH) informou que está revisando o Plano Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, com meta de reduzir em 20% os homicídios de mulheres negras até 2028.

Em Maceió, capital alagoana, a taxa de homicídios de mulheres negras chega a 7,2 por 100 mil, a 3ª maior entre as capitais do Nordeste, atrás de Salvador (8,9) e São Luís (7,8). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 68% da população feminina de Alagoas se declara negra (preta ou parda), o que torna o problema ainda mais grave em termos proporcionais.

O Atlas da Violência 2026 também relaciona a violência letal contra mulheres negras à falta de acesso a políticas de prevenção, como delegacias especializadas e casas-abrigo. Alagoas tem apenas 4 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) para 102 municípios, e nenhuma casa-abrigo em funcionamento pleno, segundo o Observatório de Violência contra a Mulher em Alagoas.

O estudo conclui que, sem ações afirmativas e de enfrentamento ao racismo, a desigualdade racial na violência letal contra mulheres tende a se aprofundar. Em Alagoas, a taxa de homicídios de mulheres negras é a 5ª maior do Brasil, e o estado precisa de respostas urgentes para reverter esse quadro.

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