Operação da Polícia Civil em produtora de filme sobre Bolsonaro gera controvérsia e negações

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, rechaçou nesta segunda-feira (1º) qualquer ligação entre a operação da Polícia Civil de São Paulo na sede da produtora Go UP Entertainment e o filme ‘Dark Horse’, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita em meio a uma escalada de tensões políticas no país, com a oposição denunciando possível uso político das instituições.

A operação, realizada na última sexta-feira (29), cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da produtora, localizada na capital paulista. Segundo a Polícia Civil, a ação faz parte de uma investigação sobre supostas irregularidades financeiras na empresa, que também produz conteúdo para plataformas digitais. O valor dos bens apreendidos não foi divulgado oficialmente, mas fontes ligadas à investigação estimam que os documentos e equipamentos confiscados somam mais de R$ 500 mil.

Contexto político e reações

O episódio ocorre em um momento de acirramento do debate político no Brasil, com as eleições presidenciais de 2026 se aproximando. Flávio Bolsonaro, que lidera as pesquisas de intenção de voto para o cargo, tem sido alvo de críticas por parte de adversários, que veem na operação uma tentativa de intimidar a produção de conteúdo crítico ao seu grupo político. O filme ‘Dark Horse’, ainda em fase de produção, é descrito como uma obra independente que pretende retratar a ascensão e os desafios do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em nota oficial, a Go UP Entertainment afirmou que ‘não há qualquer fundamento para a ação’ e que ‘todos os registros contábeis e fiscais estão em dia’. A produtora também destacou que a operação ocorreu ‘sem qualquer aviso prévio’ e que ‘os materiais apreendidos incluem roteiros e gravações do filme, o que levanta suspeitas sobre a real motivação da investigação’.

Impacto no cenário político

A oposição, liderada por partidos como PT e PSOL, classificou a operação como ‘um ataque à liberdade de expressão’ e ‘mais um capítulo da perseguição política orquestrada por setores do governo’. Em contrapartida, aliados de Flávio Bolsonaro defendem que a ação é ‘meramente técnica’ e que ‘não há qualquer relação com o conteúdo do filme’. O senador, em sua declaração, reforçou que ‘a Polícia Civil tem autonomia para investigar, e não cabe a mim interferir’.

Especialistas em direito constitucional apontam que, embora a operação possa ser legal, o timing e o alvo levantam questionamentos sobre a instrumentalização do aparelho estatal. ‘A coincidência de uma investigação financeira em uma produtora que está fazendo um filme crítico a uma figura política de destaque é, no mínimo, suspeita’, avaliou o jurista Carlos Alberto de Souza, em entrevista ao portal.

O caso deve ganhar novos desdobramentos nos próximos dias, com a possibilidade de a defesa da produtora recorrer à Justiça para anular a operação. Enquanto isso, o filme ‘Dark Horse’ segue em produção, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2026, em meio a um clima político cada vez mais polarizado.

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