O mercado financeiro brasileiro iniciou junho com direções opostas, refletindo a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus impactos globais. O Ibovespa, principal índice da B3, fechou esta segunda-feira (1º) aos 172.197 pontos, com queda de 0,91%, no quinto pregão consecutivo de perdas, atingindo o menor nível desde 21 de janeiro. Enquanto a bolsa recuava, o dólar fechou cotado a R$ 5,023, recuo de 0,39%, e o petróleo disparou mais de 4%, impulsionado pela suspensão das negociações entre Irã e Estados Unidos e pela ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz.
A queda da bolsa refletiu principalmente a cautela dos investidores diante do agravamento da crise geopolítica envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O cenário aumentou a busca por ativos considerados mais seguros e reduziu o apetite por mercados emergentes. Durante o dia, o indicador chegou a recuar mais de 1%. Ações de mineradoras e de bancos puxaram a queda da bolsa. Na contramão, os papéis da Petrobras, com maior peso no Ibovespa, avançaram, beneficiados pela forte valorização do petróleo.
Dólar recua apesar da aversão ao risco
Apesar do aumento da aversão ao risco nos mercados globais, o dólar encerrou o dia em queda ante o real. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,023, recuo de 0,39%, após ter avançado 1,82% em maio. No acumulado de 2026, o dólar registra desvalorização de 8,5% perante a moeda brasileira. O principal fator que favoreceu o real foi a disparada do petróleo. Como o Brasil é exportador da commodity, a valorização tende a aumentar a entrada de dólares no país e fortalecer a moeda brasileira. O movimento ocorreu mesmo com a alta do índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de moedas fortes.
Petróleo dispara com crise no Oriente Médio
Os preços internacionais do petróleo tiveram forte alta após a agência iraniana Tasnim informar que Teerã interrompeu as negociações indiretas com os Estados Unidos e passou a discutir medidas para bloquear o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte da commodity. A escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou o petróleo, que avançou mais de 4%. O movimento refletiu o temor de interrupção no fornecimento global, elevando os preços e beneficiando países exportadores como o Brasil. A situação geopolítica segue sendo monitorada de perto pelos mercados, que avaliam os riscos de uma escalada maior no conflito.
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