O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta segunda-feira (1º) que o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) foi o “melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai”. A declaração, feita durante evento em São Paulo, é uma crítica direta à carga tributária brasileira que, segundo o governador, tem impulsionado a migração de indústrias nacionais para o país vizinho.
A fala de Tarcísio ocorre em um contexto de intenso debate sobre a reforma tributária e seus impactos na competitividade da economia brasileira. Dados recentes indicam que, nos últimos dois anos, ao menos 47 empresas brasileiras transferiram suas operações para o Paraguai, atraídas por alíquotas de impostos significativamente menores. O governador paulista destacou que a política fiscal do governo federal, sob a gestão de Haddad, teria sido um dos principais fatores para esse êxodo industrial.
Panorama Político e Econômico
A declaração de Tarcísio de Freitas insere-se em um cenário de polarização política e econômica no Brasil. Enquanto o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a reforma tributária como um passo para simplificar o sistema e reduzir desigualdades, governadores de oposição, como Tarcísio, apontam que a carga tributária atual sufoca a produção nacional e favorece a concorrência desleal de países com regimes fiscais mais leves. O Paraguai, que adota alíquotas de Imposto de Renda de 10% para empresas e 8% para pessoas físicas, tornou-se um destino atrativo para setores como o têxtil, calçadista e de autopeças.
Além da crítica a Haddad, Tarcísio negou veementemente ter se reunido com o empresário Vorcaro, investigado em esquemas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. “Nunca me encontrei com ele”, afirmou o governador, em resposta a questionamentos da imprensa. A negativa ocorre em meio a suspeitas de que Vorcaro teria intermediado encontros entre políticos e empresários paraguaios para facilitar a transferência de empresas.
A polêmica em torno da “Taxa das Blusinhas”, que reacendeu o debate sobre a revogação de incentivos fiscais para importações, também está no centro da discussão. O governo federal estuda medidas para coibir a evasão de divisas e a concorrência desleal, enquanto estados como São Paulo pressionam por uma reforma que reduza a carga tributária sobre a produção nacional. A crise na “Taxa das Blusinhas” evidencia o impasse político e econômico entre os entes federativos, com impactos diretos na geração de empregos e na arrecadação.
Especialistas ouvidos pelo portal República do Povo apontam que a fuga de indústrias para o Paraguai pode agravar o desemprego no Brasil, especialmente em regiões como o ABC paulista, onde o setor têxtil é forte. “A carga tributária brasileira é uma das mais altas do mundo, e a falta de competitividade está levando empresas a buscar alternativas no exterior”, avalia o economista Carlos Alberto de Oliveira. Por outro lado, defensores da reforma tributária argumentam que a simplificação do sistema pode atrair investimentos e reduzir a informalidade.
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