Em meio a tensão tarifária, Lula rebate EUA e aponta superávit comercial norte-americano de US$ 415 bilhões

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu, nesta terça-feira (2), o argumento do governo dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas “irrazoáveis” na relação entre os dois países. Em declaração pública, Lula voltou a lembrar que os norte-americanos têm superávit na relação comercial com o Brasil e, se alguém deveria aplicar tarifas, deveria ser o Brasil. A fala ocorre em meio a um impasse comercial que já dura semanas, com os EUA propondo uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e atacando sistemas de pagamento como o Pix para favorecer empresas estadunidenses.

“O superávit americano, nos últimos 15 anos, foi de US$ 415 bilhões. Então, quem tinha que aumentar a taxação seríamos nós, não eles”, afirmou Lula. O presidente lembrou também que tanto ele quanto o presidente dos EUA, Donald Trump, haviam concordado em dar 30 dias de prazo para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial. O prazo, segundo Lula, já está em curso, com três rodadas de conversas realizadas até o momento, mas sem avanço concreto.

Panorama do impasse comercial

A crise comercial entre Brasil e EUA ganhou novos contornos nas últimas semanas. Em maio, o governo norte-americano apresentou um relatório classificando práticas brasileiras como “irrazoáveis”, o que motivou a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Paralelamente, os EUA atacaram o sistema de pagamentos instantâneos Pix, acusando-o de favorecer empresas locais em detrimento de concorrentes estadunidenses. A escalada retórica e tarifária preocupa setores produtivos dos dois países, que temem uma guerra comercial de consequências imprevisíveis.

Lula, em sua fala, detalhou o encontro que teve com Trump no início de maio, na Casa Branca. “Vocês viram que faz pouco tempo que fui aos Estados Unidos. Tive três horas de conversa com o presidente Trump. O secretário do Comércio dele começou a dizer que havia taxação e eu disse que havia divergência entre o ministro de Comércio dele e o meu ministro do Comércio”, relatou o presidente, contando que entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. “Então, eu disse a ele [Trump], nós dois vamos dar 30 dias para eles provarem quem está certo e quem está errado. Se eu estiver errado, eu aceito; se você estiver errado, você aceita. E demos 30 dias. Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo”, completou.

Impactos e reações

A posição brasileira, centrada na defesa do superávit histórico dos EUA, busca desmontar o argumento de que o Brasil pratica protecionismo. Especialistas apontam que, se a tarifa de 25% for implementada, setores como o de carne bovina, suco de laranja e etanol serão os mais afetados. Por outro lado, uma eventual retaliação brasileira poderia atingir produtos como trigo, milho e tecnologia norte-americana. O governo brasileiro, por meio do Ministério do Comércio, já sinalizou que está preparando uma contraproposta, mas mantém a expectativa de que o diálogo resolva o impasse dentro do prazo estipulado.

A comunidade internacional acompanha o caso com atenção, uma vez que a disputa entre duas das maiores economias das Américas pode influenciar acordos regionais, como o Mercosul, e a relação com outros parceiros comerciais. Enquanto isso, a pressão sobre os negociadores aumenta, com empresários e entidades de classe pedindo uma solução rápida para evitar prejuízos. O desfecho do prazo de 30 dias, que se aproxima do fim, será crucial para definir os próximos passos da relação bilateral.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *