O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (2) às pressões dos Estados Unidos contra o PIX, com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmando que a ferramenta de transferências financeiras em tempo real será protegida e resguardada, e que não está ‘em debate’. A declaração ocorre em meio a uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) que pode resultar em tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, e após críticas de que o Banco Central do Brasil favorece o PIX em desfavor de empresas americanas. Durigan também apontou que a família Bolsonaro fez um ‘movimento contrário ao PIX’, reforçando a defesa do sistema como símbolo de soberania financeira.
Durigan declarou que o mecanismo não está ‘em debate’, ou seja, que o governo brasileiro não se dispõe a negociar os termos do PIX. A ferramenta tem sido contestada pelos Estados Unidos, que acusam o Banco Central do Brasil de favorecer o sistema de pagamentos em desfavor de empresas americanas que atuam no setor. ‘Mais uma vez, a família Bolsonaro faz um movimento contrário ao PIX, e sobre a 301, e mais do que estar fora do debate, ele é símbolo da nossa soberania financeira, orgulho do país, do nosso povo. De fato, inovamos, geramos tecnologia cobiçada pelas regiões que querem um PIX. As pessoas usam com facilidade e interesses privados e particulares se sentem contrariados com essa abertura de meio de pagamento democrático’, declarou o ministro da Fazenda.
De acordo com o governo americano, o BC atua simultaneamente como regulador e operador do sistema, o que favorece o PIX e limita a atuação de concorrentes. As críticas fazem parte da justificativa para a proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após uma investigação comercial do Escritório de Comércio dos EUA (USTR) contra práticas abusivas. Segundo o órgão, o governo brasileiro adota práticas que ‘oneram ou restringem’ o comércio com os norte-americanos. Quando a investigação foi aberta, em julho de 2025, o PIX não era citado diretamente. O documento fazia referência a ‘serviços de comércio digital e pagamento eletrônico’, incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o PIX é o único sistema público com essa finalidade.
Defesa do PIX
Outras autoridades também saíram em defesa do PIX, como o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. ‘O governo com muita transparência e não vai permitir jamais qualquer tema caro à soberania nacional como é o PIX, por exemplo, fique na mesa de negociação e não está na negociação, não há hipótese para isso. E nós vamos sempre possível demonstrar não atendo pro governo norte-americano orçamento do povo brasileiro qual a linha de esclarecimento e defesa do Brasil’, disse Marcio Elias Rosa. Já Alckmin declarou que o Brasil recebe com indignação as críticas dos Estados Unidos, e que é injusta a proposta no que se refere ao PIX. ‘O PIX é um patrimônio nacional, uma conquista do povo, tecnologia a serviço da sociedade, economia, sem custos para população’, disse ele.
Recorde em 2025
Dados do Banco Central mostram que o PIX movimentou R$ 35,36 trilhões em transferências no ano passado, novo recorde. Houve uma alta de 33,6% na comparação com 2024 — quando as movimentações totalizaram R$ 26,46 trilhões. A quantidade de transações também superou a registrada no ano anterior. Em 2025, foram 79,8 bilhões de operações.
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