O Governo de Alagoas inaugurou, nesta semana, uma nova sala do Programa Saúde Até Você Digital no Centro de Referência em Direitos Humanos (CRDH), em Maceió, como parte de uma estratégia ampla de modernização e interiorização dos serviços públicos. A iniciativa, que integra as políticas de proteção social e saúde digital, visa ampliar o acesso da população a consultas e orientações médicas por telemedicina, especialmente em comunidades historicamente desassistidas. A ação foi anunciada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e pela Secretaria de Estado da Prevenção à Violência (Seprev), responsável pela gestão do CRDH, e representa um avanço na articulação entre direitos humanos e saúde pública no estado.
A nova sala, equipada com tecnologia de ponta para atendimento remoto, permitirá que cidadãos em situação de vulnerabilidade social, incluindo pessoas em conflito com a lei, vítimas de violência e famílias de baixa renda, tenham acesso a consultas médicas, exames e acompanhamento psicológico sem a necessidade de deslocamento para unidades de saúde tradicionais. O Programa Saúde Até Você Digital, lançado em 2023, já atendeu mais de 50 mil pessoas em todo o estado, com foco em reduzir filas e ampliar a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS). A unidade no CRDH é a primeira a ser instalada em um equipamento de direitos humanos, sinalizando uma integração inédita entre as pastas.
O Centro de Referência em Direitos Humanos, que já oferece serviços de assistência jurídica, psicossocial e encaminhamento para políticas públicas, agora passa a contar com um espaço dedicado à saúde digital, o que deve acelerar o atendimento a demandas reprimidas. Segundo dados da Seprev, o CRDH atendeu mais de 12 mil pessoas em 2024, e a expectativa é que a nova sala amplie esse número em 30% nos próximos meses. A medida também está alinhada ao Plano Estadual de Direitos Humanos, que prevê a descentralização de serviços e a promoção da cidadania em regiões periféricas.
O panorama político em Alagoas tem sido marcado por um esforço do governo estadual em fortalecer a rede de proteção social, com investimentos em infraestrutura e tecnologia. Nos últimos meses, o estado inaugurou novos centros de direitos humanos em Maceió, como parte de um programa de R$ 15 milhões, e promoveu a reinauguração de patrimônios históricos, como a Igreja Matriz de Marechal Deodoro, após restauro de R$ 2,1 milhões. Essas ações, embora de naturezas distintas, refletem uma estratégia de governo que busca combinar preservação cultural, modernização administrativa e ampliação do acesso a serviços essenciais, em um contexto de desafios fiscais e sociais.
A iniciativa também dialoga com políticas nacionais de saúde digital, como o programa Saúde Digital Brasil, do Ministério da Saúde, que incentiva a telemedicina como ferramenta de equidade. Em Alagoas, a taxa de mortalidade infantil caiu 15% nos últimos dois anos, segundo a Sesau, e a expectativa é que a ampliação do atendimento remoto contribua para a redução de óbitos evitáveis, especialmente em áreas rurais e comunidades indígenas. A sala do CRDH funcionará de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com agendamento prévio pelo aplicativo Saúde Até Você.
Para especialistas em políticas públicas, a integração entre saúde e direitos humanos é um passo importante para superar a fragmentação dos serviços. Ana Paula de Oliveira, pesquisadora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), destaca que “a iniciativa pode servir de modelo para outros estados, ao demonstrar como a tecnologia pode ser usada para aproximar o Estado de populações vulneráveis”. No entanto, ela ressalta a necessidade de garantir conectividade e letramento digital para que o programa não exclua justamente quem mais precisa. O governo estadual informou que está investindo em pontos de internet gratuita em comunidades atendidas pelo CRDH.
A inauguração da sala ocorre em um momento de debate sobre os rumos da saúde pública no Brasil, com o governo federal ampliando o orçamento do SUS em 8% para 2025, mas estados enfrentando pressões fiscais. Em Alagoas, a receita corrente líquida cresceu 6% em 2024, mas as despesas com saúde ainda representam 14% do orçamento, abaixo do mínimo constitucional de 12% para estados. A aposta em soluções digitais é vista como uma forma de otimizar recursos sem comprometer a qualidade do atendimento.
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