Novo tarifaço de 25% dos EUA contra o Brasil é revés para campanha de Flávio Bolsonaro e pode anular ganhos com visita a Trump, avaliam centrão e aliados

Políticos do centrão e mesmo aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a imposição pelos Estados Unidos de um novo tarifaço de 25% sobre importações vindas do Brasil é um revés para a campanha presidencial do senador, que se tornou alvo do governo Lula (PT) desde o anúncio da medida. A avaliação, feita por integrantes de partidos do centrão e por aliados próximos ao senador, é de que o novo tarifaço pode anular os ganhos políticos obtidos por Flávio com sua recente visita ao ex-presidente americano Donald Trump, ocorrida em maio deste ano. A medida, anunciada pelo governo Trump após conclusão de investigação contra o Brasil, atinge diretamente a pauta econômica e comercial, que vinha sendo explorada pela candidatura de Flávio como contraponto à gestão petista.

O novo tarifaço de 25% foi proposto pelo governo dos Estados Unidos como resultado de uma investigação concluída em junho de 2026, que apontou supostas práticas desleais de comércio por parte do Brasil. A medida atinge uma ampla gama de produtos brasileiros exportados para o mercado americano, incluindo itens dos setores siderúrgico, agrícola e manufatureiro. Para os políticos do centrão, a imposição da tarifa representa um duro golpe na estratégia de Flávio Bolsonaro de se apresentar como um líder capaz de manter boas relações com a potência norte-americana e de atrair investimentos. A visita de Flávio a Trump, amplamente divulgada por sua campanha, havia gerado expectativas de que o senador poderia obter vantagens comerciais para o Brasil, mas o novo tarifaço desmonta esse discurso.

Impacto na campanha e reações no centrão

Aliados de Flávio Bolsonaro reconhecem, em conversas reservadas, que o tarifaço pode anular os ganhos políticos obtidos com a visita a Trump. A medida fortalece o discurso do governo Lula, que já vinha criticando a aproximação do senador com o ex-presidente americano e alertando para os riscos de uma política externa alinhada a Trump. Para o centrão, que em grande parte ainda não definiu apoio formal a Flávio, o tarifaço é visto como um fator que pode reduzir o apelo eleitoral do senador, especialmente entre setores do agronegócio e da indústria, que seriam os mais afetados pela medida. A avaliação é de que a candidatura de Flávio, que já enfrentava dificuldades para consolidar alianças, agora terá que lidar com um cenário econômico mais adverso, o que pode beneficiar o presidente Lula, que busca a reeleição.

O governo Lula, por sua vez, já reagiu ao anúncio do tarifaço, classificando a medida como protecionista e anunciando que buscará negociações com os Estados Unidos para reverter a decisão. O presidente Lula também tem utilizado o episódio para criticar a oposição, afirmando que a política externa de Flávio Bolsonaro, baseada em alinhamento automático com Trump, é prejudicial ao Brasil. A disputa comercial entre os dois países ganhou contornos eleitorais, com ambos os lados tentando capitalizar politicamente a crise. Enquanto isso, o centrão observa atentamente os desdobramentos, avaliando qual candidato pode oferecer melhores condições para seus interesses regionais e setoriais. O novo tarifaço, portanto, não apenas impacta a economia brasileira, mas também reconfigura o tabuleiro político a menos de quatro meses das eleições presidenciais.

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