Os Estados Unidos incluíram o Brasil em uma lista de 60 países que falham no combate ao trabalho forçado, abrindo caminho para uma sobretaxa sobre produtos importados. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro já esperavam a medida, que, somada aos 25% anunciados na segunda-feira (1°), elevaria a tarifa total para 37,5%, próximo dos 40% impostos no ano passado. A defesa brasileira deve seguir o mesmo caminho adotado contra os 25%: diálogo com os EUA até o prazo final da investigação.
Em abril, o Brasil apresentou uma defesa que a diplomacia classificou como técnica, destacando ações como a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e a “Lista Suja”, que impede empregadores flagrados explorando mão de obra escrava de obter financiamentos em bancos públicos. A estratégia busca demonstrar o compromisso do país com o combate ao trabalho forçado, mesmo diante de uma decisão que o governo considera política dos EUA.
Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris, onde também estará o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Fontes que acompanham o ministro afirmam que ainda não há nada marcado entre os dois, mas que Vieira deve tentar se reunir com Greer para negociar a situação.
A medida dos EUA ocorre em um contexto de tensões comerciais globais, com o governo americano adotando tarifas como ferramenta de pressão política e econômica. Para o Brasil, a sobretaxa representa um desafio adicional em um momento de busca por diversificação de mercados e fortalecimento de parcerias internacionais. A expectativa é que o diálogo diplomático e a apresentação de dados técnicos possam reverter ou mitigar o impacto da taxação, que afeta setores como o agronegócio e a indústria têxtil.
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