A água potável em Cumaná está extremamente escassa. Apagões diários assolam a cidade, como reportado pela Folha de S.Paulo em matéria sobre a crise de energia que deixa 90% dos venezuelanos vivendo no escuro. O vento uiva pelos restos saqueados de uma outrora ilustre universidade, enquanto catadores vasculham lixões em busca de restos de comida. O cenário de desolação revela a decadência de um país que já foi referência na América Latina.
A situação em Cumaná não é um caso isolado, mas um sintoma do colapso generalizado que atinge a Venezuela. A escassez de água potável e a falta de energia elétrica são problemas crônicos que afetam milhões de pessoas, agravados pela deterioração da infraestrutura e pela crise econômica que perdura há anos. A cidade, que um dia foi uma joia industrial, hoje é um retrato da falência do modelo produtivo e da gestão pública.
O abandono da universidade local, saqueada e em ruínas, simboliza o declínio do sistema educacional e da capacidade do Estado de manter serviços básicos. Enquanto isso, a população sobrevive em meio à precariedade, com catadores disputando restos de alimentos em lixões, em uma luta diária pela sobrevivência. A crise humanitária se aprofunda, sem perspectivas de solução imediata.
O panorama político geral é de paralisia e falta de respostas efetivas. A oposição, fragmentada, não consegue articular uma alternativa viável, enquanto o governo enfrenta sanções internacionais e isolamento diplomático. A população, por sua vez, paga o preço de uma crise que combina má gestão, corrupção e dependência do petróleo, cujos preços em queda agravam ainda mais a situação fiscal do país.
Cumaná, portanto, não é apenas uma cidade em ruínas; é um espelho do fracasso de um projeto político que prometeu prosperidade e entregou miséria. A falta de água, luz e educação básica são a face mais visível de um colapso que já dura mais de uma década e que, sem mudanças estruturais, tende a se aprofundar.
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