O presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou o clã Bolsonaro por articular a ofensiva dos Estados Unidos contra o sistema de pagamentos instantâneos Pix e a nova taxação sobre produtos brasileiros, em meio a uma crise comercial que se agrava entre os dois países. Em pronunciamento nesta quinta-feira, Lula afirmou que o governo não irá ceder à interferência externa e que a movimentação americana é parte de uma estratégia política orquestrada por opositores brasileiros para desestabilizar a economia nacional.
Durante o discurso, o presidente destacou que as medidas adotadas pelos EUA, que incluem tarifas elevadas sobre exportações brasileiras e questionamentos sobre a segurança do Pix, são resultado de pressões de setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. “Eles estão usando o poder econômico dos Estados Unidos para tentar nos enfraquecer, mas não vamos recuar. O Brasil não será refém de interesses políticos de uma família que só pensa em si mesma”, declarou Lula, referindo-se ao clã Bolsonaro.
Panorama político e econômico
A crise comercial entre Brasil e EUA se intensificou nas últimas semanas, com o governo americano impondo tarifas de até 25% sobre produtos como aço, alumínio e carne bovina brasileira, além de ameaçar taxar transações financeiras realizadas via Pix. A medida gerou reações imediatas no Congresso Nacional, onde a base governista cunhou o termo “tariflávio” para criticar a postura dos EUA, enquanto a oposição, liderada por bolsonaristas, acusou o governo Lula de incompetência diplomática. O presidente da Câmara, Hugo Motta, e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mantiveram silêncio sobre o assunto, evitando posicionamentos públicos.
Especialistas apontam que a ofensiva americana pode custar ao Brasil cerca de R$ 15 bilhões em exportações no curto prazo, afetando principalmente os setores industrial e agropecuário. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já anunciou que o governo prepara medidas de retaliação, incluindo a revisão de acordos comerciais e a elevação de tarifas sobre produtos americanos, como automóveis e medicamentos. A situação também reacendeu o debate sobre a dependência econômica do Brasil em relação aos EUA, com parlamentares da base defendendo uma maior aproximação com a China e a União Europeia.
Em meio à crise, Lula reforçou que o Pix continuará operando normalmente, sem qualquer interferência externa, e que o governo está trabalhando para garantir a segurança do sistema. “O Pix é uma conquista do povo brasileiro, e não será atacado por interesses estrangeiros ou por aqueles que querem ver o Brasil de joelhos”, afirmou o presidente. A declaração foi acompanhada por críticas diretas ao ex-presidente Bolsonaro, que, segundo Lula, estaria articulando com setores conservadores americanos para prejudicar o governo atual.
A crise comercial também expôs divisões no campo político. Enquanto a base governista tenta isolar o clã Bolsonaro, a oposição acusa Lula de usar o episódio para desviar a atenção de problemas internos, como a inflação e o desemprego. O senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, negou qualquer envolvimento com as medidas americanas e classificou as acusações de Lula como “cortina de fumaça”. Já o deputado Eduardo Bolsonaro afirmou que o governo brasileiro deveria buscar um acordo com os EUA, em vez de “criar crises artificiais”.
O cenário permanece tenso, com a expectativa de que novas negociações entre Brasil e EUA ocorram nas próximas semanas. Enquanto isso, o governo Lula tenta fortalecer alianças regionais, como o Mercosul, e busca apoio de países como Argentina e México para pressionar Washington a rever as tarifas. A crise, no entanto, já deixou claro que a relação bilateral entrou em um novo patamar de confronto, com impactos diretos na economia e na política brasileira.
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