O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, tiveram um encontro rápido nesta quarta-feira (3) durante a reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países. Segundo relatos da delegação brasileira, os dois se cruzaram antes do início de um dos painéis da plenária, quando Greer se aproximou do chanceler brasileiro para cumprimentá-lo e afirmou que os Estados Unidos seguem abertos a dialogar com o Brasil sobre as questões comerciais em discussão.
O encontro ocorre um dia após o escritório norte-americano concluir, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, pode se somar à proposta anunciada na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos e prevê a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras.
Diálogo em meio a tarifaço
De acordo com pessoas que acompanharam a conversa, o representante americano disse que há um contato fluido entre os dois governos e ressaltou que pretende manter as negociações em andamento. Mauro Vieira respondeu que a disposição do Brasil é a mesma. O chanceler afirmou que as recentes recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para a adoção de tarifas adicionais de 25% e de 12,5% sobre produtos brasileiros reforçam a necessidade de intensificar as conversas entre os dois países.
Segundo interlocutores, Vieira observou que as negociações seguem dentro do prazo de 30 dias acertado pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante encontro realizado em Washington e defendeu que o período seja aproveitado para avançar em uma solução negociada. O breve diálogo ocorreu em meio ao aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, após a divulgação das recomendações tarifárias pelo USTR. Apesar disso, a conversa foi interpretada pela delegação brasileira como um sinal de que os canais de comunicação entre os dois governos permanecem abertos.
O cenário reflete um momento de crise diplomática e racha político interno, conforme apontado em análises recentes. O Tarifaço de Trump contra o Brasil expõe crise diplomática e racha político interno, enquanto o chanceler busca reverter as medidas em encontros com autoridades americanas, como em Paris com Marco Rubio. A tensão comercial cresce também com a investigação dos EUA contra o Brasil, incluindo o sistema PIX, conforme debatido por auxiliares de Lula e Trump em encontro recente.
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