Governo Lula acusa Flávio Bolsonaro de querer privatizar o PIX e entregá-lo a bandeiras de cartão dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou como estratégia política afirmar que o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), pretende retirar o controle do PIX do Banco Central (BC) — instituição que garante sua gratuidade — e transferi-lo para o setor privado de cartões de crédito, dominado por bandeiras americanas. A ofensiva ocorre em um contexto de forte tensão comercial com os Estados Unidos, após a equipe do presidente Donald Trump propor um aumento de 25% nas tarifas de importação de produtos brasileiros, citando justamente o controle do PIX pelo BC como um dos pontos de atrito.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto, a narrativa governista busca associar Flávio Bolsonaro a uma suposta agenda de “entreguismo” econômico. Além da transferência do PIX para o setor privado, o discurso da equipe de Lula inclui a acusação de que o senador fluminense estaria disposto a entregar a exploração de minerais críticos ao governo Trump e a liberar a atuação de plataformas digitais no Brasil sem regulação. “Em nossa avaliação, o Flávio Bolsonaro, ao tentar virar a página do caso Master, deu outro tiro no pé. Agora, eles estão com os dois pés feridos e vão ter dificuldades de caminhar”, afirmou um interlocutor do presidente Lula à reportagem.

Panorama político e reações

A ofensiva petista se insere em um cenário mais amplo de disputa eleitoral e de pressão externa. O modelo de pagamento eletrônico desenvolvido pelo Banco Central prevê o controle pela autoridade monetária brasileira, garantindo gratuidade para pessoas físicas e cobrança apenas de empresas. O PIX tornou-se um enorme sucesso no Brasil e passou a ser copiado por outros países, representando uma ameaça direta ao modelo de negócios das empresas de cartão de crédito, especialmente as bandeiras norte-americanas. O governo Lula já definiu que o sistema é inegociável e que continuará sob controle do BC e gratuito — posição que será central na campanha eleitoral do presidente, que pretende colar na imagem de Flávio Bolsonaro a defesa de mudanças no PIX para beneficiar o governo Trump.

Por outro lado, o senador Flávio Bolsonaro nega veementemente as intenções atribuídas a ele. Segundo sua equipe, o que o pré-candidato do PL defende é uma atuação conjunta com os Estados Unidos, e não um “entreguismo”. Interlocutores do senador argumentam que o objetivo é evitar a política de confronto adotada por Lula com o presidente Trump. A divergência expõe uma das principais fissuras da oposição: enquanto o governo tenta capitalizar politicamente a defesa da soberania sobre o PIX, a ala bolsonarista busca se apresentar como pragmática nas relações internacionais. O embate promete ser um dos eixos centrais da corrida presidencial de 2026, com o tarifaço americano e o futuro do sistema de pagamentos brasileiro como pano de fundo.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *