Influenciador e pré-candidato a deputado federal PTK é preso em operação contra o Comando Vermelho em Alagoas

O influenciador digital, empresário e pré-candidato a deputado federal por Alagoas Patrick de Almeida Silva, conhecido como PTK, foi preso na manhã desta quarta-feira (3) durante uma operação policial que investiga a atuação da facção criminosa Comando Vermelho no estado. A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL), resultou na detenção de nove pessoas, incluindo PTK, e na apreensão de R$ 20 mil em espécie, dois iPhones, dois anéis de ouro e um pendrive. A prisão ocorre em um contexto de crescente preocupação com a infiltração do crime organizado em processos eleitorais, especialmente em regiões periféricas.

Ex-morador da Vila Brejal, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, PTK ganhou visibilidade nas redes sociais ao abordar pautas relacionadas às comunidades periféricas e, principalmente, aos motoboys e motociclistas por aplicativo. Ele também é responsável pelo projeto “Respeita os Motoboys”, uma iniciativa privada que implantou pontos de apoio com áreas cobertas para motociclistas em bairros da capital alagoana e em Arapiraca, no Agreste do estado. Atualmente, com mais de 180 mil seguidores em uma rede social, PTK publica conteúdos sobre encontros com motociclistas e entregadores, reivindicações por melhorias de infraestrutura em comunidades e, mais recentemente, ações de pintura de ruas com as cores da bandeira do Brasil antes do início da Copa do Mundo de 2026.

Patrick Almeida também é proprietário de uma loja de smartphones e idealizador do bloco carnavalesco “Tropa do PTK”, que desfilou na orla de Maceió nos últimos anos. Em 2024, ele chegou a anunciar a pré-candidatura a vereador por Maceió. No entanto, em julho daquele ano, informou que não disputaria o cargo após deixar o Partido Progressistas (PP) e se filiar a outra legenda. “Como todo mundo sabe, eu estava no PP. Me convidaram para vir para esse outro partido. Foi para quê? Para me tirar na convenção [partidária]? Foi para me dar uma rasteira? Fizeram acordos e não cumpriram nada comigo. Me deram uma rasteira”, afirmou PTK em um vídeo publicado à época.

Nesta quarta-feira (3), a SSP-AL informou que o influenciador teria sido “escalado” pelo chefe do Comando Vermelho em Alagoas, Nem Catenga, para ser candidato. A operação policial, que prendeu PTK e mais oito pessoas, tem como objetivo desarticular a atuação da facção no estado e investigar o uso de candidaturas como fachada para interesses criminosos. Os nomes dos outros suspeitos não foram divulgados. O g1 tenta localizar a defesa do influenciador PTK.

O caso de PTK insere-se em um panorama político mais amplo, onde figuras públicas com forte apelo em comunidades periféricas têm sido alvo de investigações por supostos vínculos com organizações criminosas. Em Alagoas, a operação contra o Comando Vermelho reflete uma tendência nacional de combate à infiltração do crime organizado em eleições, especialmente em cargos legislativos. A prisão de um pré-candidato a deputado federal levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de fiscalização partidária e a necessidade de maior transparência no financiamento de campanhas. A sociedade alagoana, por sua vez, acompanha com apreensão o desdobramento do caso, que pode ter implicações significativas para o processo eleitoral de 2026.

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