Banqueiro Daniel Vorcaro apresenta nova versão de delação premiada; PF e PGR analisam proposta de R$ 60 bilhões

A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou na última segunda-feira (1º) uma nova versão de delação premiada do banqueiro em reunião com integrantes da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O acordo, que prevê a devolução de até R$ 60 bilhões, foi alvo de um adendo entregue na terça-feira (2) e está sob análise dos investigadores, que pediram mais tempo para avaliar o documento. A negociação ocorre em meio a um amplo esquema de fraudes financeiras, corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada, revelado pela perícia de mais de oito celulares apreendidos com o banqueiro.

Segundo informações obtidas pela TV Globo, o advogado de Vorcaro fez um adendo ao documento apresentado no dia anterior. Uma nova reunião estava prevista para esta quarta-feira (3), mas foi cancelada porque os investigadores solicitaram mais tempo para analisar o material. No mês passado, a PF já havia rejeitado uma primeira versão da delação, e o acordo segue sendo negociado de forma conjunta com a PF e a PGR.

Investigadores vinham reclamando que o material apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado pela PF e que a impressão era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas. A nova versão tenta superar essas críticas, mas ainda não há garantia de aceitação.

Investigação revela esquema além das fraudes financeiras

A PF apreendeu mais de oito celulares de Daniel Vorcaro, e a perícia inicial de parte desses telefones já revelou que o esquema do banqueiro vai além de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos. O caso, que ganhou repercussão nacional, levou à transferência de Vorcaro para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, onde ele está submetido às regras internas para receber visitas de advogados.

Antes, Vorcaro estava em uma sala com estilo de “sala de Estado-maior”, mesmo espaço usado para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano. A transferência ocorreu no dia 19 de março, da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital. No dia anterior, o advogado do banqueiro havia procurado a PF para informar sobre o interesse em firmar um acordo de delação premiada. No mesmo dia, Vorcaro assinou o termo de confidencialidade e abriu caminho para a delação. No início de maio, a defesa finalizou os anexos da delação, e o material foi entregue às autoridades em um pen drive.

Devolução de R$ 60 bilhões e panorama político

Segundo o blog do Valdo Cruz no g1, a negociação da delação tem como eixo a devolução de recursos e a eventual comprovação de atos de ofício de autoridades citadas. Investigadores relataram que a lógica do acordo é técnica, sem alvos pré-definidos ou exclusões. Em 22 de maio, interlocutores do banqueiro afirmaram ao blog que ele aceitou subir de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido caso seja fechada uma colaboração.

O caso Vorcaro ocorre em um contexto de crescente tensão política no Brasil, com investigações que miram figuras de diferentes espectros partidários. A Polícia Federal tem intensificado operações contra crimes financeiros e de colarinho branco, enquanto o governo federal busca equilibrar a agenda econômica com o combate à corrupção. A delação de Vorcaro pode trazer à tona novas revelações sobre conexões entre o setor financeiro e o poder público, ampliando o debate sobre a regulação bancária e a transparência no sistema financeiro nacional.

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