Exportações brasileiras para os EUA despencam 14% em maio, maior recuo desde tarifas de Trump

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 14% em maio na comparação com o mesmo mês de 2025, divulgou nesta quarta-feira (3) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Desde agosto do ano passado, quando começaram a vigorar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, as vendas para o mercado estadunidense vêm recuando, acumulando uma queda de 35% em outubro e arrefecendo gradualmente nos meses seguintes.

Apesar da queda, o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, afirma que os números ainda não permitem concluir que houve uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países. “É cedo para falar de mudança estrutural. Fluxos no comércio exterior levam tempo para se adaptar, depende muito da composição da pauta, tem bens sob encomenda que sofrem choque maior, mas commodities e alimentos não, como é o caso de grande parte do perfil da pauta com Estados Unidos, com petróleo, celulose, combustível, carne, café. Tem um momento de aumento de custo, pode ser que cause retratação do fluxo, mas pode retomar rapidamente”, afirmou Brandão.

Ele ressaltou que o ritmo de redução das exportações para os Estados Unidos tem diminuído nos últimos meses. “Tivemos a maior queda em outubro, de 35%. Em janeiro houve redução de 26%, e essa redução vem se arrefecendo ao longo dos meses: 20% em fevereiro, 10% em março, 10% em abril e 14% em maio”, declarou.

Comércio com EUA

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Mdic mostram que o comércio bilateral perdeu força em maio. Os principais números foram: exportações para os EUA somaram US$ 3,09 bilhões, com queda de 14% em relação a maio de 2025; importações dos EUA também recuaram, refletindo o impacto das tarifas e das tensões comerciais globais. O cenário se insere em um contexto mais amplo de incertezas, com a ameaça de novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros, que podem atingir 37,5% com sobretaxa adicional, conforme revelou o governo. O agronegócio e a indústria de biocombustíveis reagiram ao tarifaço, buscando negociação para evitar impactos nas exportações, enquanto o setor sucroenergético brasileiro rebateu acusações dos EUA e defendeu a política tarifária do etanol.

O governo, por sua vez, ampliou o acesso ao Plano Brasil Soberano para empresas afetadas por tarifas dos EUA e conflitos no Oriente Médio, reduzindo exigências e buscando mitigar os efeitos sobre a economia nacional. A Bolsa recuou 2,22% e o dólar ultrapassou R$ 5,06 em meio a tensões globais e à ameaça de tarifas dos EUA, sinalizando a volatilidade dos mercados diante do cenário de incertezas comerciais.

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