Ministro do Trabalho critica acusação dos EUA sobre trabalho forçado e vê tentativa de taxação

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, classificou como ‘vergonha alheia’ e ‘desculpa esfarrapada’ a decisão dos Estados Unidos que cita suposto trabalho forçado no Brasil para justificar a ameaça de novas tarifas comerciais. Em declaração nesta quinta-feira (3), Marinho afirmou que a acusação é uma ‘ilusão’ e que o governo norte-americano recorre a um ‘baixo nível’ político para tentar taxar o país novamente, reacendendo um debate que já havia gerado atritos entre as duas nações nos últimos meses.

A fala do ministro ocorre em meio a um cenário de tensão comercial crescente, com os EUA adotando medidas protecionistas que afetam setores estratégicos brasileiros, como o aço e o alumínio. A alegação de trabalho forçado, segundo Marinho, não passa de um pretexto para impor barreiras econômicas, sem qualquer fundamento técnico ou jurídico consistente. ‘É uma vergonha alheia recorrer a tão baixo nível para justificar o injustificável’, disse o ministro, em referência direta à postura da administração norte-americana.

Panorama político e econômico

A decisão dos EUA ocorre em um momento de fragilidade nas relações bilaterais, marcado por divergências em fóruns multilaterais e disputas comerciais. O Brasil, por sua vez, tem buscado diversificar parcerias, como o avanço nas negociações com a União Europeia e a aproximação com países do Sul Global. Especialistas apontam que a acusação de trabalho forçado pode ser uma tentativa de desviar o foco de questões internas norte-americanas, como as eleições de meio de mandato e a crise migratória na fronteira sul.

Marinho reforçou que o Brasil possui legislação rigorosa contra o trabalho análogo à escravidão e que o país tem avançado no combate a essa prática, com fiscalizações frequentes e políticas públicas de inclusão. ‘Não aceitaremos lições de quem tem um histórico de violações trabalhistas tão grave quanto o nosso’, completou o ministro, em tom de crítica à política trabalhista dos EUA, que não ratificou convenções fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A ameaça de novas tarifas pode impactar diretamente exportações brasileiras, especialmente nos setores de manufatura e agroindústria, que já enfrentam desafios com a desaceleração da economia global. O governo brasileiro avalia medidas de retaliação, mas busca evitar uma escalada que prejudique ainda mais o comércio bilateral, que movimenta bilhões de dólares anualmente. Enquanto isso, a declaração de Marinho ecoa entre analistas políticos como um sinal de que o Brasil não cederá a pressões externas sem uma defesa robusta de seus interesses soberanos.

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