Trump rompe trégua com Lula e impõe tarifas de 25% sobre o Brasil, gerando crise diplomática e tensão eleitoral

As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de ‘terroristas’ romperam uma ‘trégua’ entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma ‘tempestade política’ pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3).

Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país. Já na terça-feira (2), o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro ‘irrazoáveis’ que ‘oneram ou restringem o comércio dos EUA’.

O Financial Times associou as medidas a ‘um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro’, referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil. A tentativa de Flávio, segue o FT, é de ‘se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina’.

O jornal britânico escreve que ‘Trump desencadeou uma tempestade política’, levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como ‘TariFlávio’. Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço ‘o tornou mais popular’, assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos.

O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi ‘colocado na defensiva pela proposta de tarifas’, citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas. A reportagem também avalia que Trump ‘não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro’, mas que uma série de sinais ‘foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro’. Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de ‘um jovem inteligente que ama seu país’.

O panorama político geral é de escalada de tensão entre Brasil e EUA, com impacto direto na economia brasileira, especialmente no setor exportador, e na corrida eleitoral de 2026. As medidas de Trump são vistas como uma interferência indireta no processo eleitoral brasileiro, favorecendo a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas também gerando reações negativas entre eleitores que veem as tarifas como prejudiciais ao país. A crise diplomática coloca Lula em uma posição de confronto, que pode ser explorada politicamente tanto para fortalecer sua imagem de defensor da soberania nacional quanto para desgastar a oposição, dependendo da evolução dos fatos.

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