O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que o governo brasileiro não vê justificativa para as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e expressou a expectativa de que a disputa tarifária entre os dois países seja resolvida e levada ‘em breve’ ao presidente americano, Donald Trump. A declaração ocorre em meio a uma escalada de tensões comerciais que afeta diretamente as exportações brasileiras e o mercado global.
Vieira negou que haja base técnica ou legal para as tarifas aplicadas pelos EUA, classificando-as como unilaterais e desproporcionais. O chanceler destacou que o Brasil tem buscado diálogo diplomático para reverter a medida, que atinge setores como siderurgia, alumínio e produtos agrícolas. A posição brasileira é de que as sobretaxas violam acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e prejudicam a relação bilateral, que movimenta bilhões de dólares anualmente.
A declaração de Vieira ocorre em um contexto de pressão internacional contra a política tarifária de Trump, que já gerou retaliações de parceiros como a União Europeia e a China. No Brasil, a medida americana impacta diretamente a competitividade de produtos nacionais, especialmente no setor de aço, que responde por cerca de 30% das exportações brasileiras para os EUA. Empresas do setor já sinalizam perdas potenciais de até US$ 1,5 bilhão, segundo estimativas de associações industriais.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Economia, tem articulado uma estratégia que combina negociação diplomática com a possibilidade de acionar a OMC. Vieira ressaltou que a expectativa é de que o tema chegue a Trump ‘em breve’, indicando que o Brasil busca um canal direto com a Casa Branca para evitar uma escalada maior. A fala do chanceler reflete a preocupação do governo Lula em preservar o comércio bilateral, que somou US$ 75 bilhões em 2025.
No cenário político, a disputa tarifária expõe as dificuldades de alinhamento entre Brasil e EUA em um momento de polarização global. Enquanto Trump adota uma postura protecionista, o governo brasileiro tenta equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção de relações comerciais estáveis. A situação também coloca pressão sobre o Congresso Nacional, que discute medidas de reciprocidade, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos, embora o Executivo prefira o caminho do diálogo.
Especialistas apontam que, se mantidas, as sobretaxas podem gerar um efeito cascata na economia brasileira, com aumento de custos para indústrias que dependem de insumos americanos e redução da competitividade das exportações. A Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já alertou para possíveis demissões no setor metalúrgico, enquanto a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) teme retaliações contra produtos como carne e soja. A expectativa é de que as negociações avancem nas próximas semanas, com a participação de representantes do Itamaraty e do Departamento de Comércio dos EUA.
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