O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que os argumentos apresentados pelos Estados Unidos para aplicar tarifas contra produtos brasileiros “não são legítimos”. A declaração ocorre em meio a investigações da Seção 301, que podem resultar em tarifas adicionais de até 25% sobre exportações do Brasil, afetando um volume estimado em US$ 15 bilhões, segundo a Câmara Americana de Comércio para o Brasil. Vieira destacou que o Brasil já forneceu todas as informações necessárias para contestar as acusações e espera que os relatórios finais considerem os dados apresentados.
Segundo Vieira, o governo brasileiro demonstrou que as acusações de falha na fiscalização de trabalho forçado e outras práticas não se sustentam. “Demos todas as informações necessárias. O que nós esperamos é que isso tudo seja levado em conta e que fique comprovado que não há porquê sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados nós provamos que não são legítimos”, afirmou o ministro. As investigações dos EUA concluíram que 60 economias, incluindo o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, resultando na proposta de uma tarifa adicional de 12,5% para o país. Além disso, o governo americano propôs uma tarifa adicional de 10% para economias que já possuem proibição parcial ou se comprometeram a aplicar regras por meio de acordos de comércio recíproco, como a União Europeia.
Negociações em andamento e panorama político
Vieira afirmou que é interesse do Brasil manter conversas com os EUA após a divulgação dos relatórios finais das investigações relacionadas à Seção 301, apresentados antes do prazo estabelecido na reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em Washington, no mês de maio. “Eu disse que era nosso interesse manter conversas, sobretudo depois do anúncio dos laudos, dos relatórios finais das duas investigações sobre a Seção 301”, disse Vieira. Ainda não há data para a conclusão das negociações, e o presidente Lula confirmou presença na reunião do G7 em Evian, na França, mas não está confirmado se haverá um encontro bilateral com Trump para tratar do tema.
As tarifas propostas pelos EUA também envolvem críticas a políticas brasileiras como o PIX, etanol e decisões do STF, que foram usadas como justificativa para a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Especialistas avaliam que, assim como no tarifaço de 2025, existe espaço para o Brasil negociar nesta nova ameaça tarifária. A medida ainda passará por consulta pública, com comentários por escrito até 6 de julho de 2026 e audiências públicas no dia seguinte, promovidas pelo USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA). O cenário reflete tensões comerciais globais, com o Brasil buscando evitar impactos significativos em sua balança comercial e manter o diálogo com a maior economia do mundo.
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