O governo de Pernambuco anunciou a execução de 80% de um plano com 50 ações voltadas à prevenção de ataques de tubarão no litoral do estado. A iniciativa, que envolve órgãos estaduais, municipais e federais, aposta em educação ambiental, tecnologia e capacitação para reduzir riscos à população e turistas. Entre as medidas, destaca-se o desenvolvimento de um aplicativo de monitoramento, que deve ser lançado antes do fim do ano, conforme informações divulgadas pelo Governo do Estado.
O plano, coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade em parceria com a Secretaria de Turismo e a Defesa Civil, inclui a instalação de sistemas de alerta em praias de maior incidência, como Piedade, Boa Viagem e Candeias. A tecnologia empregada envolve sensores subaquáticos e drones para monitoramento em tempo real, além de campanhas educativas em escolas e comunidades litorâneas. O investimento total, segundo fontes oficiais, ultrapassa R$ 5 milhões, com recursos do Fundo Estadual de Meio Ambiente e emendas parlamentares.
Panorama político e impacto social
A execução do plano ocorre em um contexto de pressão política e social, após registros de ataques de tubarão nos últimos anos, que geraram debates sobre a segurança nas praias pernambucanas. O Governo do Estado, sob a gestão de Raquel Lyra, tem buscado alinhar as ações com prefeituras locais e o Ministério do Meio Ambiente. A oposição, no entanto, critica a demora na implementação de medidas mais robustas, como a instalação de barreiras físicas, enquanto especialistas apontam a necessidade de maior integração entre ciência e políticas públicas.
O aplicativo de monitoramento, que deve ser lançado até dezembro, permitirá que banhistas e surfistas recebam alertas em tempo real sobre a presença de tubarões, com base em dados coletados por sensores e relatos de usuários. A ferramenta, desenvolvida pela Universidade Federal de Pernambuco em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, também incluirá informações sobre correntes marítimas e condições do mar. A expectativa é que a iniciativa reduza em até 30% os incidentes, conforme estimativas do Comitê Estadual de Prevenção a Ataques de Tubarão.
Além da tecnologia, o plano prevê a capacitação de salva-vidas e pescadores locais para atuarem como agentes de prevenção, com treinamentos realizados pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros. A educação ambiental também é prioridade, com a distribuição de materiais didáticos em 200 escolas da rede pública e a realização de palestras em comunidades pesqueiras. O Governo do Estado informou que, até o momento, 40 das 50 ações foram concluídas, restando apenas ajustes finais no aplicativo e a instalação de novos sensores em áreas de maior risco.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a prevenção de ataques de tubarão exige ações contínuas e integradas, especialmente em um estado com extensa faixa litorânea e alta densidade turística. O Instituto Oceanográfico de Pernambuco destacou a importância de manter o monitoramento mesmo após o lançamento do aplicativo, enquanto o Conselho Estadual de Turismo ressaltou o impacto econômico positivo da iniciativa para o setor. A expectativa é que o plano completo seja finalizado até o primeiro semestre de 2027, com revisões periódicas baseadas em dados científicos.
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