O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, afirmou nesta quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, durante a Marcha para Jesus em São Paulo, que o presidente Lula o enviou ao evento com uma missão específica: levar amor, palavra de amor e comunhão, e deixar claro que aquele não é lugar para comício. A declaração foi feita em meio a um dos maiores eventos religiosos do país, que reúne milhares de fiéis na capital paulista.
Messias, que é um dos principais auxiliares do governo federal, destacou que a presença do Executivo no evento não tem caráter político-partidário, mas sim de respeito à diversidade religiosa e de diálogo com a sociedade civil. Ele disse esperar uma resposta de Deus, em referência ao caráter espiritual do encontro. A fala ocorre em um momento em que o governo busca ampliar sua base de apoio entre setores evangélicos, tradicionalmente mais alinhados a lideranças conservadoras.
Panorama político e religioso
A participação de um ministro de Estado na Marcha para Jesus reflete uma estratégia do governo Lula de aproximação com lideranças religiosas, especialmente após tensões iniciais com parte do segmento evangélico. O evento, que ocorre anualmente, é organizado por igrejas neopentecostais e atrai milhões de pessoas. A fala de Messias também ecoa um esforço do Palácio do Planalto para evitar que manifestações religiosas sejam instrumentalizadas por opositores políticos, como ocorreu em gestões anteriores.
O presidente Lula, que não compareceu pessoalmente, já havia sinalizado publicamente a importância do diálogo com todas as crenças. A escolha de Messias, um ministro com perfil técnico e jurídico, para representá-lo no evento, foi vista como uma tentativa de manter o tom institucional e evitar interpretações de uso eleitoral da fé. A Marcha para Jesus, que tradicionalmente conta com a presença de políticos de diferentes espectros, teve neste ano um discurso mais moderado, com ênfase na união e na paz social.
Além de Messias, outros representantes do governo federal estiveram presentes, mas não discursaram. A organização do evento informou que a participação de autoridades é bem-vinda, desde que respeitem o caráter religioso da celebração. A declaração do ministro, ao citar Lula e afirmar que o evento não é comício, busca justamente reforçar essa fronteira, em um contexto de polarização política no país.
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