O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que decidiu não comparecer à Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4), feriado de Corpus Christi, em São Paulo, para evitar que sua presença fosse interpretada como tentativa de obter vantagem política de um evento religioso. A declaração foi feita em conversa telefônica com o bispo Estevam Hernandes e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que representou o governo no ato. O telefonema foi divulgado nas redes sociais de Messias, que afirmou ter ido ao evento como representante do presidente.
“Eu vou lhe contar porque eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada”, disse Lula, que é pré-candidato à reeleição no pleito de outubro. A ausência do petista contrasta com a presença de seus principais adversários políticos, como o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista Ricardo Nunes, que participaram do evento ao lado de milhares de fiéis.
Participação de adversários e discurso de guerra espiritual
Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes acompanharam a marcha do alto de um trio elétrico, que partiu da estação da Luz, no centro, em direção à Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira (FEB), na Zona Norte. Durante o trajeto, Flávio Bolsonaro discursou para a multidão, afirmando que o país vive uma “guerra espiritual” e que “o mal vai ser expulso do governo desse Brasil”. “Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual, e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”, declarou o pré-candidato.
A Marcha para Jesus, que neste ano celebrou sua 34ª edição, reuniu milhares de fiéis e contou com programação que se estende até as 21h, com shows de artistas gospel como Gabriela Rocha, Aline Barros, Renascer Praise, Thalles Roberto e Isadora Pompeo. O evento, que ocorre anualmente no feriado de Corpus Christi, é um dos maiores encontros religiosos do país e tem se consolidado como palco de manifestações políticas, especialmente em anos eleitorais.
Panorama político e histórico
A decisão de Lula de não participar do evento ocorre em um contexto de acirramento da disputa eleitoral, com a fé e a religião sendo temas centrais no debate público. Em setembro de 2009, durante seu primeiro mandato, Lula sancionou a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus, demonstrando sua proximidade histórica com o segmento evangélico. No entanto, a ausência do presidente neste ano reflete uma estratégia de evitar associações diretas entre religião e política, especialmente diante das críticas de que seu governo estaria instrumentalizando a fé.
Enquanto isso, a presença de Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes reforça a aliança entre a direita política e lideranças religiosas, que tem sido um dos pilares da campanha bolsonarista. A fala de Flávio sobre “expulsar o mal do governo” ecoa o discurso de seus apoiadores, que veem na eleição de outubro uma batalha entre forças espirituais. A Marcha para Jesus, portanto, tornou-se não apenas um evento de fé, mas também um termômetro das estratégias políticas de cada campo na corrida presidencial.
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