Uma chacina em um bar na cidade de Sarandi, no Paraná, resultou na morte de três pessoas da mesma família após um ataque encomendado pelo tráfico de drogas que errou o alvo, conforme informou a polícia nesta quinta-feira (26). A investigação aponta que a motivação do crime está ligada a uma disputa por território do tráfico na região, e que o assassino confundiu as vítimas com os alvos reais, executando os inocentes por engano. O caso, que chocou a comunidade local, expõe a violência crescente associada ao crime organizado no estado, onde facções disputam o controle de pontos de venda de drogas.
De acordo com a Polícia Civil do Paraná, o ataque ocorreu na noite de quarta-feira (25), quando um homem armado invadiu um bar no bairro Jardim Independência e disparou contra as vítimas. As três pessoas mortas são da mesma família: João Silva, de 42 anos, Maria Silva, de 38 anos, e Pedro Silva, de 19 anos. A polícia informou que o assassino agiu a mando de uma facção criminosa que disputa o controle do tráfico na região, mas que o ataque foi direcionado a um grupo rival que frequentava o mesmo estabelecimento. No entanto, devido a um erro de identificação, o atirador atingiu a família Silva, que estava no bar para uma confraternização.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Homicídios de Sarandi, já identificou o suspeito, que está foragido. Segundo o delegado Carlos Mendes, o crime foi encomendado por um líder do tráfico local, que pagou R$ 50 mil pelo ataque. “O alvo era um grupo de traficantes rivais, mas o atirador confundiu as vítimas, que estavam em uma mesa próxima. É um caso de erro grotesco, que resultou na morte de pessoas inocentes”, afirmou Mendes. A polícia também apreendeu um veículo usado na fuga e busca outros envolvidos.
O caso ocorre em meio a um cenário de escalada da violência no Paraná, onde disputas entre facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), têm se intensificado nos últimos meses. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Paraná indicam que o número de homicídios relacionados ao tráfico aumentou 15% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. A cidade de Sarandi, localizada na região metropolitana de Maringá, é um dos pontos críticos, com registros de confrontos frequentes entre grupos rivais.
A tragédia gerou comoção na comunidade local, que realizou uma vigília na noite de quinta-feira (26) em frente ao bar onde ocorreu a chacina. Moradores relataram medo e insegurança, cobrando ações mais efetivas das autoridades. “Estamos reféns do tráfico. Não podemos mais sair de casa sem temer pela vida”, disse Ana Costa, vizinha das vítimas. A Prefeitura de Sarandi anunciou a criação de um programa de segurança comunitária, enquanto a Polícia Militar reforçou o patrulhamento na região.
O caso também reacendeu o debate sobre a eficácia das políticas de segurança pública no estado. Especialistas apontam que a falta de investimento em inteligência policial e a atuação fragmentada das forças de segurança contribuem para a perpetuação de crimes como este. “Enquanto o tráfico continuar operando com impunidade, veremos mais casos de violência extrema, como esta chacina”, avaliou o sociólogo Luis Fernando Almeida, da Universidade Estadual de Maringá. A polícia segue investigando o caso e pede que a população colabore com informações que possam levar à prisão do suspeito.
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