A candidatura de JHC ao cargo de ‘Xerife’ em Maceió, conforme noticiado pelo portal Cadaminuto, reacende o debate sobre a segurança pública na capital alagoana. A proposta, que ganhou destaque nas redes sociais e entre apoiadores, promete uma atuação mais enérgica no combate à criminalidade, mas enfrenta críticas de especialistas quanto à viabilidade financeira e à sobreposição de competências com as polícias Civil e Militar. O anúncio ocorre em meio a um cenário de aumento de 12% nos índices de homicídios no primeiro semestre de 2024, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
A ideia de um ‘xerife’ municipal, inspirada em modelos norte-americanos, foi apresentada por JHC como uma forma de ‘trazer ordem às ruas’ e ‘responsabilizar diretamente o gestor pela segurança’. No entanto, a proposta esbarra na Constituição Federal, que atribui aos estados a competência principal sobre segurança pública. Para contornar esse obstáculo, a equipe do candidato estuda a criação de uma guarda municipal armada e com poder de polícia, algo que já é permitido pela Lei 13.022/2014, mas que exige regulamentação específica e investimentos significativos.
O contexto político em Maceió é marcado por disputas acirradas entre os grupos de JHC e do atual prefeito, João Henrique Caldas, que também busca a reeleição. A candidatura ao cargo de ‘Xerife’ é vista por analistas como uma estratégia para capitalizar o descontentamento popular com a violência urbana, mas também como uma forma de pressionar o governo estadual, comandado por Paulo Dantas (MDB), a intensificar as ações de segurança na capital. Dados do Instituto de Segurança Pública de Alagoas mostram que, em 2023, Maceió registrou 1.234 mortes violentas, número 8% superior ao de 2022.
Especialistas em segurança pública, como o professor Luís Flávio Sapori, da PUC Minas, alertam que a criação de um cargo de ‘xerife’ sem uma integração efetiva com as polícias estaduais pode gerar conflitos de atribuição e duplicidade de esforços. ‘A segurança pública não se resolve com cargos simbólicos ou com a militarização de guardas municipais. É preciso investir em inteligência, em políticas sociais e em uma atuação coordenada entre os entes federativos’, afirmou Sapori em entrevista ao República do Povo.
Do ponto de vista orçamentário, a proposta de JHC demandaria um aumento significativo nos gastos municipais com segurança, que atualmente representam apenas 3% do orçamento de Maceió, segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento. Para financiar a nova estrutura, o candidato sugere a readequação de verbas de outras áreas, como educação e saúde, o que gerou críticas de movimentos sociais e de parte da classe política. A Associação de Moradores do Centro de Maceió emitiu nota pública questionando a prioridade dada à segurança em detrimento de serviços básicos.
A corrida eleitoral em Maceió promete ser uma das mais acirradas do país, com JHC e João Henrique Caldas liderando as pesquisas de intenção de voto, segundo levantamento do Instituto DataMaceió. A candidatura ao cargo de ‘Xerife’ pode ser um diferencial, mas também um risco, caso a proposta não seja detalhada de forma clara e factível. Enquanto isso, a população de Maceió aguarda soluções concretas para a violência que assola a cidade, enquanto os candidatos disputam o voto dos cidadãos cansados de promessas vazias.
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