O contraventor Adilsinho, apontado como um dos principais nomes da cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, teve uma nova prisão decretada pela Justiça estadual, desta vez sob acusação de homicídios e tentativas de homicídio com o objetivo de monopolizar o mercado de cigarros ilegais na região metropolitana. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (26), também atinge outros dois suspeitos de integrar o mesmo esquema criminoso, ampliando o cerco a uma rede que combina contravenção, contrabando e violência.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), Adilsinho e seus comparsas são acusados de ordenar ao menos três homicídios e duas tentativas de homicídio entre 2023 e 2024, todos ligados à disputa pelo controle da venda de cigarros contrabandeados em comunidades da Baixada Fluminense. As investigações apontam que o grupo utilizava a estrutura do jogo do bicho — historicamente enraizada em territórios fluminenses — para impor uma espécie de “pedágio” a comerciantes e eliminar concorrentes que se recusassem a aderir ao monopólio.
A nova ordem de prisão, assinada pela 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias, ocorre menos de seis meses após Adilsinho ser solto em outro processo, no qual respondia por associação criminosa e lavagem de dinheiro. A revogação da prisão anterior, em fevereiro, havia sido criticada por setores do Judiciário e da segurança pública, que apontavam a reincidência como sinal da fragilidade do sistema de combate ao crime organizado no estado.
Panorama político e judicial
A decisão judicial se insere em um contexto de recrudescimento das ações contra a contravenção no Rio de Janeiro. Nos últimos meses, operações conjuntas das polícias Civil e Federal, com apoio do MP-RJ, miraram não apenas o jogo do bicho, mas também a lavagem de dinheiro oriunda de máquinas caça-níqueis, bingos clandestinos e, agora, o contrabando de cigarros. Especialistas apontam que a diversificação das atividades ilícitas — que inclui ainda a exploração de serviços de segurança privada e a venda de combustíveis adulterados — tornou o combate mais complexo, exigindo integração entre diferentes esferas de investigação.
O caso de Adilsinho ilustra como a cúpula do jogo do bicho, antes restrita a territórios fixos e a um modelo de exploração de apostas, expandiu seus tentáculos para setores econômicos formais e informais, gerando um ciclo de violência que impacta diretamente a população de bairros periféricos. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro afirmou que “a prisão é resultado de um trabalho contínuo de inteligência e que o estado não tolerará a atuação de grupos criminosos que tentem impor seu domínio pelo uso da força”.
Os três suspeitos agora são considerados foragidos, e a Justiça determinou a inclusão de seus nomes no Banco Nacional de Mandados de Prisão. A defesa de Adilsinho ainda não se manifestou publicamente sobre a nova acusação. O MP-RJ, por sua vez, informou que continuará aprofundando as investigações para identificar outros envolvidos na cadeia de comando do esquema.
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