Um homem foi preso em flagrante na tarde desta quinta-feira, 26 de junho, após atingir com um raio laser um helicóptero do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) que sobrevoava a região de Sobradinho, no Distrito Federal. O feixe luminoso comprometeu a visão da tripulação e colocou em risco a operação aérea de fiscalização, que monitorava infrações de trânsito na área. A ocorrência foi registrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que agora investiga se o suspeito agiu de forma intencional ou por imprudência.
De acordo com o boletim de ocorrência, o helicóptero realizava voo de patrulhamento quando o piloto percebeu um forte clarão vindo do solo. O feixe de laser atingiu diretamente o cockpit, ofuscando a visão do comandante e do copiloto por alguns segundos. A tripulação conseguiu manter o controle da aeronave e pousar em segurança em uma base próxima, mas o incidente poderia ter causado uma tragédia, segundo especialistas em aviação. O laser, quando direcionado a aeronaves, pode causar cegueira temporária, desorientação e até acidentes fatais.
Operação e prisão
Após o pouso, a equipe do Detran acionou a Polícia Civil, que iniciou buscas na região. Com o apoio de câmeras de segurança e relatos de moradores, os agentes localizaram o suspeito em uma residência nas proximidades. O homem, identificado como Carlos Eduardo de Oliveira, de 34 anos, foi detido e encaminhado à delegacia de Sobradinho. Ele responderá por atentado contra a segurança de transporte aéreo, crime previsto no Código Penal Brasileiro, com pena que pode chegar a cinco anos de reclusão. A PCDF também apreendeu o apontador laser utilizado no ataque, que será periciado.
O incidente em Sobradinho não é isolado. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que, somente em 2025, foram registrados mais de 200 casos de interferência por laser em aeronaves no Brasil, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. A prática, além de ilegal, representa um risco grave para a aviação civil e policial, especialmente em operações de baixa altitude, como as realizadas pelo Detran e pela Polícia Militar. Especialistas apontam que a falta de fiscalização e a facilidade de adquirir apontadores de alta potência contribuem para o crescimento do problema.
Panorama político e segurança
O caso reacende o debate sobre a segurança nas operações aéreas no Distrito Federal e no país. O governo local, sob a gestão do governador Ibaneis Rocha, tem investido em tecnologia para monitoramento de trânsito, mas a vulnerabilidade a ataques com laser expõe lacunas na proteção de aeronaves. A Secretaria de Segurança Pública do DF afirmou, em nota, que reforçará as ações de prevenção e que estuda a criação de uma força-tarefa para coibir esse tipo de crime. Já o Detran-DF informou que manterá as operações aéreas, mas que adotará medidas adicionais de segurança, como o uso de óculos de proteção pelos pilotos.
No âmbito federal, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado pelo ministro Ricardo Lewandowski, anunciou que pretende incluir o uso de lasers contra aeronaves como prioridade no Plano Nacional de Segurança Pública. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores que defendem a regulamentação do comércio de apontadores, em vez de proibições totais. Enquanto isso, a Polícia Civil do DF segue investigando o caso de Sobradinho, que pode servir de precedente para punições mais severas contra esse tipo de crime.
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