A designação terrorista para as facções PCC e CV, anunciada pelos Estados Unidos, consolidou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como o presidenciável com mais engajamento nas redes sociais em maio, segundo levantamento da consultoria DSC Lab. O movimento, que repercutiu fortemente no debate político brasileiro, não apenas alavancou a visibilidade do parlamentar, mas também reacendeu discussões sobre segurança pública e política externa no país.
O estudo da DSC Lab, divulgado nesta quinta-feira (4), analisou interações em plataformas como Twitter, Instagram e Facebook, considerando postagens, comentários e compartilhamentos. Flávio Bolsonaro liderou o ranking com uma média de 1,2 milhão de interações diárias, superando outros pré-candidatos como Lula (PT) e Simone Tebet (MDB). A pauta antifacção, central em seus discursos recentes, foi apontada como o principal motor do crescimento.
Impacto da decisão americana no cenário político
A designação terrorista, anunciada pelo governo dos Estados Unidos em 26 de maio, classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A medida, inédita para grupos criminosos brasileiros, gerou reações imediatas no Congresso Nacional e entre analistas de segurança. Para o senador Flávio Bolsonaro, a pauta se tornou uma bandeira eleitoral, com críticas ao governo federal por suposta leniência no combate ao crime organizado.
No entanto, o engajamento não se restringiu a um único ator político. Lula, por exemplo, também registrou aumento de 15% nas interações ao defender uma resposta diplomática coordenada, enquanto Simone Tebet focou em propostas de integração entre forças policiais. O levantamento da DSC Lab indica que o tema segurança pública dominou 40% das conversas políticas online no período, superando debates sobre economia e saúde.
Panorama geral e desdobramentos
Especialistas apontam que a decisão americana pode ter efeitos duradouros na corrida presidencial de 2026. João Paulo Bachur, cientista político da USP, afirma que “a pauta antifacção une discursos de direita e centro, mas também expõe divisões sobre soberania nacional”. Enquanto isso, organizações de direitos humanos alertam para possíveis abusos em operações policiais, tema que também ganhou tração nas redes.
O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, classificou a medida como “respeitosa, mas unilateral”, e prometeu reforçar acordos de cooperação internacional. Já o Ministério da Justiça anunciou a criação de uma força-tarefa para monitorar os impactos da designação nas fronteiras. O debate, portanto, transcende o campo eleitoral e toca em questões de política externa, segurança pública e direitos civis.
Com a proximidade das eleições, a tendência é que o engajamento digital continue sendo um termômetro crucial para as campanhas. A DSC Lab projeta que, se mantido o ritmo, Flávio Bolsonaro pode consolidar uma base digital robusta, mas alerta que a volatilidade do tema exige cautela. “O engajamento não se traduz automaticamente em votos, mas sinaliza prioridades do eleitorado”, conclui o relatório.
Fonte: ver noticia original

